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Cuiabá, Domingo 19/05/2019

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entrevista com suposto mandante 19.04.2019 | 14h25

Suspeito nega ter encomendado chacina e diz que não se entrega por medo de morrer; confira entrevista

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Daniel Beltrá/ Greenpeace

Daniel Beltrá/ Greenpeace

Valdelir João de Souza, suposto mandante da Chacina de Coloniza, série de crimes que matou 9 trabalhadores rurais no município distante 1.065 km de Cuiabá, está foragido desde o começo de maio de 2017. Nesta sexta-feira (19) os assassinatos completam dois anos. Para rememorar o caso, o publica entrevista com Valdelir, também conhecido como Polaco Marceneiro.  

 

Leia também - MPE aponta assassinato de testemunha e advogado distribuindo dinheiro

 

A conversa intermediada pelo advogado Ulisses Rabaneda responde questões básicas. O réu nega participar de grupos de extermínio, explica que nunca encomendou mortes e diz ainda que não se entrega por medo de ser assassinado na cadeia. “Fugir para não morrer talvez seja pior do que estar preso”, confidenciou o suspeito.

 

"Estão acabando com a minha vida e da minha família. Investiguem meu passado, minha vida particular. Nunca compactuei com nenhum delito, vivia uma vida pacata, simples, andava de bicicleta com meu filho a época com 2 anos em uma zona rural todos os dias, sozinho. Nunca andei armado, então porque aos meus 41 anos de vida, com empresas sólidas, uma vida tranquila, sem dividas, sem problema nenhum, eu ia fazer uma barbárie dessas?", questionou.

 

Confira a entrevista:    

 

Onde o senhor estava no dia 19 de abril de 2017, data da Chacina Colniza? 

 

Faz muito tempo! Pelo que me lembro estava em trabalhando normalmente. Não me recordo de ter feito nada de diferente da minha rotina naquele dia.   

 

Você tem ou teve algum envolvimento com grupos de extermínio?    

 

De forma nenhuma! Nunca fui acusado de qualquer crime na minha vida. Moro no mesmo lugar há quase 20 anos, sempre trabalhei com muita dignidade. Tudo que construí foi com honestidade e esforço, meu e de minha família. Não iria jogar tudo fora.  

 

O Ministério Público relata que o senhor foi o mandante do crime. O objetivo seria expandir comércio de madeira. Ainda segundo o MP, a sua madeireira compra material nobre de áreas desmatadas ilegalmente para revender. A afirmação é verdadeira?    

 

Não é verdade! Na época dos fatos, os manejos vinculados a mim e a minha empresa foram fiscalizados pelo IBAMA e nada de ilícito foi encontrado. Trabalhávamos com exportação, o que requer uma série de documentos e procedência da madeira extraída. Não justifica ter ido atrás de madeiras sem procedência ou participar de qualquer ilícito absurdo como esse que fomos acusados quando no local há abundância de manejos. Minha empresa, bom que se diga, já sofreu multas do IBAMA, as quais estavam sendo questionadas por vias legais. Qualquer empresa tem direito de questionar aquilo que acha errado por parte da fiscalização e então a justiça decide o que fazer.   

 

Você conhece algum dos outros acusados?    

 

O Pedro Ramos, conhecido por Doca [um dos 5 réus], era funcionário da minha serraria, trabalhava para mim. Eu nunca tive qualquer problema com ele ou relato de que estivesse envolvido em coisas erradas. Ele é uma pessoa muito qualificada para a atividade que exercia, conhecia as espécies de madeiras e era esse o único serviço que sempre prestou pra empresa. Não acredito que ele tenha qualquer envolvimento nisso, mas também não posso ser acusado só por acreditam que ele participou do crime.    

 

Desde que sua prisão foi determinada pelo Judiciário, mandado não foi cumprido. Qual o motivo de evitar a prisão preventiva?  

 

Sou uma pessoa de bem, nunca tive ficha criminal, sou pai de família, sempre paguei minhas contas e nunca me envolvi com gente errada. Agora me vejo nesta situação, sofrendo junto com minha família. O que fizeram com aquelas vítimas foi um crime bárbaro, horrível. Exatamente por isso sei que se eu me apresentar e for preso, correrei sério risco de perder a vida. Com certeza os verdadeiros culpados têm interesse na minha morte, pois assim eu não mais poderia me defender, gritar por Justiça, e o caso estaria encerrado. Não posso desistir de lutar pela minha vida e pela minha defesa.  

 

Segundo o MPE, testemunhas que confirmaram sua participação no caso sofreram retaliações. Pessoa com o nome Alex Gimenez Garcia foi assassinada. O senhor tem alguma participação no crime? Outro colaborador da investigação, identificado como Osmar Antunes, sofreu tentativa de homicídio. Você tem alguma participação?      

 

As provas do processo comprovam que Alex Gimenez sempre se viu envolvido em crimes. Este senhor já havia sofrido outras tentativas de homicídio, foi preso outras vezes com um arsenal de armas de fogo. Cabe ao promotor sair do conforto do seu gabinete e buscar no processo de sua morte a verdadeira motivação e não insinuar, como fez, que o assassinato desta pessoa tem relação com o processo a que eu respondo. Não tem nada no processo, a não ser as insinuações do promotor, que me envolvam na morte desta pessoa. Não tenho qualquer envolvimento nisso. O passado dele fala por si só. Quanto ao Osmar Antunes, o Ministério Público alega que ele foi ameaçado, contudo, o delegado de polícia foi na audiência em Colniza e disse que nunca tomou conhecimento deste fato. O irmão deste senhor foi ouvido em Juízo e falou que ele é louco.  

 

Colaboradores afirmam que o advogado Leo Fachin recebeu R$ 3 milhões para “comprar” testemunhas. É verdade? Você pagou alguma quantia para fabricar versões?    

 

Primeiro é importante dizer quem inventou essa história foi o Alex Gimenes. Ele disse que “ouviu dizer” isso, sem apontar quem falou, onde falou e quando falou. A propósito, comprar testemunhas é crime. Onde está a investigação sobre este fato? Não existe! Não existe porque ele não tem pé nem cabeça. Eu não posso ser acusado e condenado por suposições de um criminoso contumaz.      

 

O MPE pediu a pronúncia para que seu julgamento ocorra por meio de júri. Ainda não há decisão. O senhor se declara inocente? Se sim, quais fatos comprovam a sua inocência?  

 

Sou inocente! O Ministério Público me acusa com base no depoimento de uma pessoa, tida por seu próprio irmão como louco, que alega que ouviu os disparos no local dos fatos enquanto trabalhava e ficou atrás de uma árvore, quando viu um funcionário meu no local. Essa mesma pessoa contou para um terceiro, que testemunhou no processo, que estava caçando, quando ficou em cima de uma árvore. Estava trabalhando ou caçando? Ficou atrás ou em cima de uma árvore? Quem acredita em uma história dessa? Quem em sã consciência ouviria disparos de arma de fogo em um local daquele e ficaria esperando para conferir? No processo existem muitas provas da minha inocência, entre elas testemunhas que viram meu funcionário na hora dos fatos a cerca de 100 km de onde ocorreu a chacina. Estão acabando com a minha vida e da minha família. Investiguem meu passado, minha vida particular. Nunca compactuei com nenhum delito, vivia uma vida pacata, simples, andava de bicicleta com meu filho a época com 2 anos em uma zona rural todos os dias, sozinho. Nunca andei armado, então porque aos meus 41 anos de vida, com empresas sólidas, uma vida tranquila, sem dividas, sem problema nenhum, eu ia fazer uma barbárie dessas? O que me resta é lutar até o fim e provar minha inocência, porque até agora o Ministério Público só quis dar uma resposta a sociedade e não fazer justiça. Peço que se coloquem no meu lugar. Fugir para não morrer talvez seja pior do que estar preso. Acordar todo dia pensando que eu tinha uma vida, trabalhava e agora pensar que estou sendo acusado por uma coisa que eu não fiz. Acredito muito que a Justiça vai prevalecer. Não posso perder essa esperança. Que Deus ilumine os Juízes do meu processo. Quero voltar a viver!  

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