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12.07.2018 | 11h55

46 crianças menores de 5 anos seguem separadas das famílias

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Foto: Crescente Vermelho iraquiano/ Ocha

Após a ordem emitida pelo juiz federal Dana Sabraw, o governo dos Estados Unidos diz ainda manter 46 crianças sob a custódia do Departamento de Saúde e Serviços Humanos porque foram consideradas "inaptas" a serem devolvidas para suas famílias. Segundo os advogados do governo norte-americano, o governo conseguiu reunir apenas 57 crianças com menos de 5 anos.

O mandato judicial exigia a reunião de todas as crianças nessa faixa etária até a última terça-feira (10). Mais cedo, o juiz havia dado prazo até as 15h desta quinta-feira (12) no horário de San Diego (19h no horário de Brasília) para que o governo provasse que devolveu as crianças às famílias.

Justificativas do governo

As justificativas apresentadas pelo governo para não reunir as 46 crianças com seus familiares foram as mais diversas.

O Departamento de Justiça alegou que possui preocupação com a segurança de 22 crianças. Ao menos 11 pais têm antecedentes criminais com delitos como crueldade infantil, tráfico humano ou assassinato.

Sete outros possíveis pais que reclamavam a guarda não tinha nenhuma relação com essas crianças e um tinha uma certidão de nascimento falsa.

Outro pai afirmou ao governo que aguardaria o resultado do processo de abrigo na casa de um acusado de abuso infantil. Assim, a tutela também lhe foi negada.

Em pelo menos outros 24 casos, os pais já haviam sido deportados ou estavam na cadeia por outros motivos além da imigração ilegal.

Governo disse que não cumpriria prazo

Durante a audiência de prestação de contas sobre a reunião familiar realizada na terça-feira, o governo disse que não conseguiria cumprir o prazo. O juiz disse que não iria abrir, pois os prazos eram firmes e não "metas ambiciosas". Ainda assim, ele pediu explicações detalhadas no caso das crianças que não puderam voltar para suas famílias.

O governo tem agora um prazo apertado de duas semanas para reunir todas as crianças com seus pais, independente da idade, seguindo a ordem judicial.

A ACLU, organização que processou o governo dos EUA em nome dos imigrantes, ficou encarregada de acompanhar o processo de reunião.

Os advogados da associação aconselharam o governo a abandonar a metodologia demorada que envolve exames de DNA, observação dos antecedentes criminais e visitas domiciliares de assistentes sociais no local onde os imigrantes estão vivendo.

Mas o governo não cedeu. A devolução só vai acontecer para os pais que tenham qualquer vínculo familiar, desde que o pai ou responsável não tenha antecedentes criminais.

 

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