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Juan Guaidó 11.02.2019 | 16h48

Diplomata da oposição a Maduro afirma que ajuda à Venezuela partirá de Roraima

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CONTEÚDO ESTADÃO

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Representantes do presidente autodeclarado da Venezuela, Juan Guaidó, afirmaram nesta segunda-feira, 11, que tiveram sinal verde do Itamaraty para montar um centro de ajuda humanitária em Roraima, de onde vão partir medicamentos e mantimentos para a Venezuela. Eles se reuniram com o chanceler Ernesto Araújo, em Brasília, e combinaram uma visita conjunta, nos próximos dias, à fronteira entre os países. Não foi definido que materiais específicos o Brasil remeterá à Venezuela, nem quando, de fato, a ajuda será iniciada.

A embaixadora venezuelana María Teresa Belandria afirmou que terá uma reunião nos próximos dias com os ministros brasileiros da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e da Saúde, Henrique Mandetta, para detalhar as ações, em um grupo de trabalho. Ao sair da reunião com Araújo, ela disse que foi recebida oficialmente como embaixadora da Venezuela no Brasil. Ela entregou as cartas credenciais ao chanceler - em geral, o presidente da República é quem recebe os diplomatas no Palácio do Planalto. O Itamaraty havia reconhecido Guaidó como presidente de fato e não a reeleição do presidente Nicolás Maduro.

"Estamos avançando rapidamente no estabelecimento não só de uma relação política plena com o governo do presidente encarregado Juan Guaidó e através do que vai ser fundamental para nós, que é o tema da ajuda humanitária. O governo do Brasil se comprometeu com o governo do presidente encarregado Juan Guaidó de entregar todo o apoio possível ao estabelecimento, quem sabe no final desta mesma semana, do centro de estoque e distribuição para fazer chegar aos cidadãos venezuelanos da fronteira entre Venezuela e Brasil a ajuda humanitária que estão demandando.
Priorizamos esse tema. Os venezuelanos precisam de medicamentos para o câncer, o coração, para diabetes, para gente que precisa de diálise. As crianças que morrem de fome. (Venezuelanos) Estão cruzando a fronteira com doenças que já tinham sido erradicadas", afirmou a diplomata informal.

A embaixadora representante do presidente autodeclarado Guaidó disse que está fora dos planos da oposição que Maduro não deixe o poder e destacou a importância do apoio político por parte do Brasil. Ela disse que não vai fazer diplomacia tradicional e que pretende ir ao encontro dos venezuelanos em solo brasileiro. "Não trabalhamos com esse cenário", afirmou ela. "Estamos muito felizes com o governo do Brasil que tem sido o aliado mais forte do governo Guaidó."

María Teresa agradeceu nominalmente ao presidente Jair Bolsonaro e ao governo brasileiro por atender refugiados abrigados em Pacaraima e Boa Vista, evitando que os abrigos entrem em colapso. O recrudescimento dos conflitos internos no país vizinho e o aumento do fluxo ao Brasil são hoje a principal preocupação das Forças Armadas brasileiras. Até a semana passada, o Ministério da Defesa não tinha nenhuma nova frente de trabalho para ampliar o modo de ajuda humanitária. O Brasil deve participar do apoio aos venezuelanos por meio de instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA), e não unilateralmente.

O deputado do partido Vontade Popular Lester Toledo classificou como usurpadores os integrantes do regime que não liberam a passagem de mantimentos enviados pelos Estados Unidos e apelou aos militares para que permitam a entrada de ajuda humanitária, já barrada em Cúcuta, na Colômbia. "Nossos soldados sabem que aqui vai comida e remédios para os seus filhos", disse ele. O deputado trabalha na coordenação da Coalização Ajuda e Liberdade.

"O governo vai nos ajudar muito com um centro de distribuição e estoque, logística e transporte", afirmou Toledo. "Vamos a Roraima nos próximos dias fazer uma visita in loco para ver onde funcionará o centro de ajuda humanitária. A ajuda começa nos próximos dias. A ajuda humanitária é uma luta que conseguimos hoje no Brasil."

"Não é só uma operação do governo dos Estados Unidos, como tem sido dito. Há outros países e há empresa privada brasileira. Inclusive há uma campanha nas redes sociais dizendo que a comida está envenenada, que são medicamentos que vão matar. Estão semeando o terror. É perverso, é criminoso. Como dizer a um paciente de câncer com dor que o medicamento não vai chegar...", afirmou a embaixadora.

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