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06.03.2018 | 15h32

'Mulheres foram fundamentais para a paz', diz ex-guerrilheira das Farc

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A ampla atuação das mulheres nas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) — a mais importante guerrilha na história do país — teve papel fundamental no acordo de paz selado entre os guerrilheiros e o governo colombiano em 2016. É esta a opinião da colombiana Adriana Arias, ex-guerrilheira que esteve na linha de frente das Forças Armadas ao longo de 23 anos.

Arquivo Pessoal

— A participação das mulheres em tantas frentes nas Farc foi fundamental para que houvesse um acordo tão completo. É o único acordo de paz no mundo que fala da igualdade de gênero. E isso se deve não só à participação das guerrilheiras, mas também das mulheres que representaram os governos, os movimentos sociais, as comunidades indígenas.

O acordo de paz inclui pontos que contemplam a igualdade de gênero no processo de paz, com destaque para as mulheres que foram vítimas do conflito.

Na opinião de Adriana, as mulheres vivem hoje um momento único na Colômbia.

— A realidade das mulheres na Colômbia hoje é ímpar. Como nunca havíamos feito antes, percebemos o valor de estarmos unidas e nos juntamos para lutar e ter as mesmas oportunidades.

Mulheres na guerrilha

Em entrevista exclusiva ao R7, a ex-guerrilheira considera que a experiência nas Farc a ensinou a ser uma mulher livre.

— Entrei nas Farc com 15 anos de idade e aprendi a ser uma mulher livre, de valor, e ciente de que a única diferença entre mim e um homem é o sexo.

Hoje aos 40, a colombiana diz que começou oficialmente na guerrilha em 1º de julho de 1993, por ocasião das lutas estudantis e da violência que os estudantes vinham sofrendo por parte das autoridades.

Na época, as Farc lutavam pela implantação do socialismo na Colômbia e defendiam os direitos dos presos colombianos. Adriana revela que, depois de começar como guerrilheira, atuou em diferentes áreas.

— Tive capacitação para atuar em sistemas, agricultura, veterinária e, na maior parte do tempo, fui enfermeira no Departamento de Magdalena, ao norte da Colômbia. A ideia era que não houvesse distinção e as mulheres trabalhassem em todas as frentes possíveis.

Por cinco décadas, as Farc estiveram em conflito armado com o governo. Episódios de violência contra as guerrilheiras por parte forças oficiais, é claro, existiram.

— Perder amigos em batalhas sempre foi duro. Um dos episódios que me deixou mais chocada foi perder uma amiga grávida de seis meses. Em um dia estive em sua casa, nos divertimos, e no dia seguinte os militares a haviam assassinado junto com seu pai e marido. Me senti impotente.

Luta indígena

De origens indígenas, Adriana recebeu do governo, em 2017, o título de Guardiã da Paz e do Meio Ambiente na região de Vereda Tierra Grata, situada entre a capital La Paz e o município de Manaure Balcon Cesar.

Na associação onde trabalha, fundada para fortalecer o processo de paz e reinserir ex-guerrilheiros na sociedade, a colombiana lidera projetos para garantir a harmonia entre os povos indígenas e outras comunidades.

— Na Colômbia, há muitos conflitos por terras. Queremos contribuir com o cuidado ambiental, formulamos projetos produtivos para responder às necessidades econômicas da comunidade, promovemos a conscientização e o reflorestamento e nos esforçamos para que haja um diálogo entre povos indígenas e comunidades camponesas. É importante que haja uma reconciliação local, porque isso ajuda a desenhar e implementar processos para a construção da paz. 

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