Cuiabá, Sábado 20/04/2019

Mundo - A | + A

estratégia da oposição 07.02.2019 | 08h23

Possível uso político e militar de ajuda humanitária externa pressiona Maduro

Facebook Print google plus

CONTEÚDO ESTADÃO

Divulgação

Divulgação

Enquanto a oposição venezuelana acertava com aliados internacionais a entrega de ajuda humanitária na Venezuela para pressionar as Forças Armadas a romper com o presidente Nicolás Maduro, o chavismo reforçou nesta quarta-feira, 6, a segurança em pelo menos um posto de fronteira no Estado de Táchira, na fronteira com a Colômbia.

Segundo analistas de dentro e de fora da Venezuela, a iniciativa é a segunda etapa da estratégia da oposição, articulada com os Estados Unidos, para provocar cisões entre os militares chavistas e derrubar o presidente Maduro.

"A primeira etapa dessa estratégia foi asfixiar as importações venezuelanas com as sanções ao petróleo, que atingem os negócios dos generais", diz o professor de relações internacionais da ESPM Leonardo Trevisan. "Na segunda etapa, os militares, que controlam a fronteira e não participam dos negócios da cúpula, olham para situação e pensam: 'vamos deixar entrar remédios.'"

Ao longo de seu governo, Maduro hipotecou áreas do governo e de empresas estatais para os generais. Hoje, o Exército controla a distribuição de alimentos importados dentro do país e chefia a estatal perolífera PDVSA, responsável por 96% da receita em dólares do Estado venezuelano, além de denúncias de envolvimento com narcotráfico e contrabando.

Com isso, a cúpula militar segue fiel a Maduro, apesar de relatos de insatisfação, principalmente entre o baixo oficialato, que sofre mais com a hiperinflação e a escassez. São os soldados que trabalham na fronteira que são o alvo das investidas do líder opositor, Juan Guaidó, que se declarou presidente interino no mês passado após a Assembleia Nacional, de maioria opositora, considerar a eleição que reelegeu Maduro fraudulenta.

"Uma nova ordem às Forças Armadas: que permitam o ingresso de ajuda humanitária para atender a suas famílias que certamente precisam de alimentos e remédios", afirmou Guaidó.

O impasse é agravado pelo fato de a oposição não controlar nenhuma parte do território venezuelano. "A abordagem da oposição e dos EUA é uma estratégia intervencionista, que fere princípios de direito internacional", acrescenta Trevisan.

"A Guerra dos Bálcãs e a da Síria deixaram isso claro: é muito difícil fazer a distinção entre um corredor humanitário e uma intervenção militar. E, quando o corredor é utilizado, há uma tendência de que isso ocorra sob a égide da ONU."

Ainda não está claro, no entanto, o nível de coesão das Forças Armadas, nem seu grau de lealdade a Maduro. Apenas um general e um coronel romperam publicamente com o governo nos últimos dias.

"O problema é que o Exército é uma caixa-preta. Ninguém sabe o que acontece lá dentro", avalia Luis Vicente León, do Instituto Datanálisis, sobre as chances de cisão militar. "A oposição tenta com as sanções e com a oferta de ajuda provocar o governo: ou aceita a ajuda ou impede à força sua entrada, provocando os Estados Unidos."

Para o coordenador da área internacional do partido de oposição Voluntad Popular, Manuel Avendaño, a entrada de ajuda servirá para medir o grau de lealdade dos generais a Maduro. A resposta, disse ele ao jornal O Estado de S. Paulo, virá ainda esta semana.

Nesta quarta, militares fecharam a passagem na ponte de Tienditas, que liga as cidades de Cúcuta, na Colômbia, e Ureña, na Venezuela, com o auxílio de uma cerca improvisada e de carrocerias de caminhões. Maduro nega a possibilidade de aceitar ajuda internacional, considerando-a uma "desculpa" para iniciar uma intervenção militar.

Entidades de ajuda humanitária, como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, pediram nesta quarta que a entrega de alimentos e remédios não seja politizada pelos envolvidos na crise. 

Voltar Imprimir

Comentários

Chico Ferreira

Chico Ferreira

GD

GD

Enquete

O país reverencia suas figuras históricas?

Parcial

Edição digital

Sexta-feira, 19/04/2019

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 22,00 -2,00%

Algodão R$ 119,16 -0,22%

Boi a Vista R$ 135,00 0,27%

Soja Disponível R$ 68,90 -0,72%

Classi fácil
btn-loja-virtual

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados, Gráfica Millenium e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2018 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.