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07.03.2018 | 10h02

Putin tenta superar desconfianças antes das eleições russas

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Poucos meses depois de afirmar que a missão russa na Síria foi um sucesso, o presidente Vladimir Putin se vê em uma encruzilhada. Ele tem se deparado com algumas adversidades que não estavam em seus planos, ainda mais às vésperas das eleições para presidente do país, que ocorrerão no próximo dia 18.

Considerado favorito para vencer o pleito, com cerca de 80% de aprovação popular, ele teve de lidar, nas últimas semanas, com o recrudescimento dos bombardeiros na guerra, que mataram mais de 800 pessoas desde o dia 18 de fevereiro e deixaram a região de Ghouta Oriental em condições precárias.

Mesmo com menor contingene, a Rússia continua apoiando as investidas do governo sírio, sendo considerada, pelos países ocidentais, no mínimo uma cúmplice das atrocidades cometidas a mando de Bashar al-Assad. Para não dizer, na opinião de muitos especialistas, participante.

Acuado pelas desconfianças internacionais e para não perder popularidade, Putin ordenou a implementação de uma trégua de cinco horas na região, para a formação de um "corredor humanitário" que permitisse que civis deixassem a área, fornecendo comida e medicamentos para os que permaneciam cercados dentro deste reduto rebelde perto de Damasco. Após relutância do governo sírio, comboios se dirigiram aos locais de bombardeio.

A queda do avião de transporte de tropas russo, nesta terça-feira (6), matando todas as 39 pessoas a bordo, na província de Latakia, também ameaça ser mais um revés para o discurso de exaltação da vitória feito pelo líder russo.

Em 28 de dezembro último, ele havia definido a missão na Síria como "brilhantemente realizada" e ordenou a retirada parcial das tropas russas que participavam ativamente da guerra desde setembro de 2015. Mas as baixas continuam.

Imagem em alta

Os imprevistos, porém, não têm sido suficientes para arranhar a imagem do presidente diante de sua população. Aos 65 anos, e desde o ano 2000 no poder, intercalando suas atribuições de presidente com um mandato de primeiro-ministro, Putin tem conseguido sensibilizar os russos com um tradicional discurso nacionalista.

A desaceleração econômica acaba não sendo um empecilho para o presidente, que tem conseguido superar desconfianças, justamente com seu discurso firme de que o nível de pobreza do país será reduzido e com a promessa de que qualidade de vida das pessoas irá melhorar.

A questão militar também é preponderante para sua popularidade. A afirmação dele, de que o país produziu um míssil hipersônico intercontinental 20 vezes mais rápido que a velocidade do som, com capacidade de atingir seu alvo "como uma bola de fogo", é muito bem-vinda para uma população alimentada por um discurso de ameaça externa.

Número de mortos por queda de avião russo na Síria chega a 39

Putin, portanto, tem tudo para ser eleito, o que o faria continuar no poder até 2024, quando tiver 72 anos. Neste contexto, o presidente conseguiu desconstruir inclusive seus opositores.

O principal, o ativista Alexei Navalny, foi impedido de disputar as eleições, após ser detido (e liberado no dia seguinte) pelas autoridades russas por organizar o que foram considerados protestos ilegais. Assim, o caminho do presidente ficou ainda mais fácil.

Entre os outros concorrentes, o comunista Pavel Grunidin é o que está mais perto nas pesquisas, com apenas 7,8% das intenções de voto, contra 70% de Putin.

Não há crise, nem queda de avião, nem mesmo participação em guerra sangrenta que tire de Putin o fascínio que ele exerce sobre a população russa. É certamente o líder mais popular da história do país. Um político da Rússia republicana, com ares de imperador. E isso não se muda da noite para o dia.

 

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