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09.03.2018 | 15h26

Reunião entre Trump e Kim Jong-Un atende interesses de ambos os lados

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O anunciado encontro entre Donald Trump e Kim Jong-Um pode ter pego o mundo de surpresa, mas responde a interesses tanto do presidente dos EUA, como do líder da Coreia do Norte.

Estadão Conteúdo

Do lado da Coreia do Norte, o grande interesse no encontro seria o abrandamento das sanções comerciais e econômicas recentemente impostas pelos EUA.

Por parte dos norte-americanos, por sua vez, existe a intenção de fazer com que Kim Jong-un interrompa seu programa nuclear, conforme explica Matias Spektor, professor do Centro de Relações Internacionais da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

“A Coreia do Norte provavelmente vai oferecer suspender o progresso de seu programa militar em troca de concessões americanas. Os EUA podem começar, por exemplo, liberando pressão na área de energia. O que é importante nessa iniciativa é que, pela primeira vez em muitos anos, as duas partes vão começar a conversar. Como o risco de um confronto nuclear naquela região vinha crescendo muito, o início dessa conversa é fundamental”.

A pesquisadora americana Kathryn Weathersby, que leciona no Departamento de Política da Universidade de Sungshin, na Coreia do Sul, cita ainda outros possíveis interesses de Trump no anúncio da reunião neste exato momento: “Eu penso que ele precisa, atualmente, retirar a atenção dos problemas legais que seu mandato enfrenta — com investigações sobre o envolvimento da Rússia em sua campanha para a presidência e um processo movido contra ele por uma atriz de filmes adultos. Trump precisa desesperadamente de algo que faça seu governo parecer bom”, pondera.

Momento de trégua

Por um motivo ou outro, o anúncio significa um momento de trégua após um longo período de disputa retórica e ofensas entre os dois países.

“É uma mudança drástica no cenário que vínhamos observando no ano passado e 1no início deste ano”, diz Alexandre Uehara, doutor em Ásia e diretor acadêmico das Faculdades Integradas Rio Branco. “Isso é importante porque a trajetória que vinha sendo desenhada por EUA e Coreia do Norte era muito perigosa. Estávamos em um ponto em que o próximo passo seriam as ações militares.”

A reunião deve acontecer no mês de maio e a Casa Branca confirmou o convite em uma nota oficial, redigida pela Secretária de Imprensa, Sarah Sanders.

“O presidente Trump aceita o convite para se encontrar com Kim Jong-un em local e data que serão determinados. Temos esperança de ver a desnuclearização da Coreia do Norte. Neste meio tempo, todas as sanções devem ser mantidas. ”

A estratégia de Kim Jong-un

Na opinião de Leonardo Paz, professor no Departamento de Relações Internacionais no Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), são diversos os fatores que podem ter levado Kim Jong-un a repensar sua postura agressiva.

“Kim Jong-un consolidou seu programa nuclear: ele tem a bomba, tem o míssil para carregá-la e os meios para atingir o território americano. Ele já cumpriu o que precisava cumprir para poder dizer: ‘Olha, não façam nada ou eu ataco’. Além disso, pode-se dizer que ele encontrou, na península coreana, um contexto mais favorável ao diálogo — já que o presidente da Coreia do Sul se mostra mais favorável às conversas do que a líder anterior. Esta foi uma oportunidade que ele teve para angariar boa vontade internacional e colocar todo mundo na mesa”, afirma.

Na mídia internacional, especula-se que o encontro deva acontecer na vila de Panmunjom, também conhecida como a zona desmilitarizada entre as Coreias. “Por questões de segurança, eu não acho que essa reunião vai ser marcada em um local de difícil acesso para nenhum dos dois líderes. Acho improvável, por exemplo, que seja na China. E a Coreia do Sul é o grande link dessa história toda”, completa Paz.

O papel da Coreia do Sul

Entre os especialistas ouvidos pelo R7, é consenso que a Coreia do Sul tem papel fundamental nesta possível conciliação entre Trump e Kim Jong-un. Não à toa, o aviso sobre o encontro foi feito na quinta-feira por Chung Eui-yong, assessor para Segurança Nacional da Coreia do Sul e representante do país nas negociações com a Coreia do Norte. Matias Spektor, da FGV, afirma que os sul-coreanos são os maiores interessados neste diálogo.

“A Coreia do Sul tem investido neste encontro por um motivo muito simples: ela está na linha de fogo entre esses dois países. No caso de alguma conflagração militar na região, quem vai pagar o primeiro custo disso são os sul-coreanos. Se houver um ataque dos EUA à Coreia do Norte, a retaliação de Kim Jong-un vai ser contra a Coreia do Sul, que é o principal aliado americano na região”.

Spektor considera que o anúncio do encontro representa uma vitória diplomática para a Coreia do Norte, mas não significa o fim de maiores tensões: “É claro que esta é uma conversa que apresenta riscos. Se os dois lados sentirem que, depois do encontro, não houve progresso, é possível que ambos terminem inflando a competição”, finaliza.

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