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05.02.2018 | 10h13

Suspeito de participar de atentados em Paris é julgado na Bélgica, mas se cala

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O francês Salah Abdeslam, único integrante vivo das células jihadistas que atacaram Paris em novembro de 2015, se recusou a responder às perguntas do tribunal que o julga por um tiroteio na Bélgica em março de 2016, o qual precipitou sua captura. "Meu silêncio não me transforma em criminoso, é a minha defesa", disse ele antes de mencionar sua religião, o Islã. "Não tenho medo de vocês (...), deposito minha confiança em Alá e isso é tudo, não tenho mais nada a acrescentar."

O julgamento começou pouco antes das 9h (6h em Brasília) no Palácio da Justiça de Bruxelas, onde o réu chegou após uma viagem de quatro horas a partir da prisão de Fleury-Mérogis, ao sul de Paris, em um comboio policial escoltado por unidades de elite.


Autoridades organizaram um importante dispositivo de segurança dentro e ao redor do Palácio de Justiça 

"Você é Salah Abdeslam, nascido em Bruxelas no dia 15 de setembro de 1989?", perguntou a juíza que preside o processo, Marie-France Keutgen, no início da audiência. "Eu não quero responder nenhuma pergunta", afirmou Abdeslam.

O advogado do réu, Sven Mary, informou que ele não autoriza suas imagens durante o processo. Abdeslam se recusou inclusive a ficar de pé quando foi solicitado pela juíza.

Desde sua detenção na França, em abril de 2016, ele mantém silêncio diante dos investigadores. O processo julga o tiroteio ocorrido em Forest em março de 2016, que deixou três policiais feridos, mas é considerado um preâmbulo do julgamento que será realizado na França pelos atentados de Paris, que deixaram 130 mortos.

As autoridades organizaram um importante dispositivo de segurança dentro e ao redor do Palácio de Justiça.

Histórico

O francês de 28 anos e de origem marroquina, que cresceu e se radicalizou no bairro de Molenbeek, em Bruxelas, fazia parte de uma célula jihadista envolvida em ao menos três grandes operações terroristas nos últimos anos.

Os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris, os de 22 de março de 2016 em Bruxelas e o fracassado ataque em um trem entre Amsterdã e Paris em agosto de 2015 foram de responsabilidade, "talvez, unicamente da organização Estado Islâmico (EI)", segundo a Procuradoria federal belga.

Abdeslam é julgado no momento por um fato ocorrido no dia 15 de março de 2016, quando investigadores franceses e belgas foram surpreendidos por tiros durante uma operação de rotina em um dos abrigos da célula em Forest.

Três policiais ficaram feridos enquanto que um jihadista de origem argelina, de 35 anos, Mohamed Belkaid, morreu ao enfrentar os agentes para encobrir a fuga de Abdeslam e de um cúmplice, Sofiane Ayari, um tunisiano de 24 anos, que também será julgado em Bruxelas.

Os dois jihadistas foram detidos três dias depois, no dia 18 de março, em Molenbeek, uma prisão que, segundo os investigadores, representa o detonador dos atentados de 22 de março, quando três agressores suicidas se explodiram no aeroporto e no metrô da capital belga.

Uma associação de vítimas de atentados, V-Europe, que diz representar cerca de 200 pessoas dos atentados de Bruxelas, afirmou ser parte civil no julgamento. A defesa dos acusados poderá aceitar esta constituição em parte civil de última hora, apesar de várias fontes relacionadas com o caso excluírem qualquer novo adiamento.

A audiência, que deveria ter acontecido em meados de dezembro no tribunal correcional de Bruxelas, foi adiada para dar tempo para Sven Mary, o novo advogado de Abdeslam, preparar sua defesa.

Um criminalista belga acompanhou o jihadista logo depois de sua prisão, mas desistiu sete meses depois, criticando a incompreensível atitude de seu cliente.

 

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