Cuiabá, Quarta-feira 16/01/2019

Opinião - A | + A

23.09.2009 | 03h00

Desperdício da água e impactos ambientais

Facebook Print google plus

A água é um dos recursos naturais mais preciosos da Terra, imprescindível para a vida em geral e para a humanidade em especial. No seu estado propício para o consumo como água potável, ela é um bem finito. Portanto, é no mínimo demonstração de falta de inteligência fazer o mau uso dela.

Segundo estudos recentes da ONU, até 2025, três bilhões de pessoas estarão sem acesso à água de boa qualidade, causando graves problemas de subsistência, e até guerras, daí a necessidade de transportar, usar e compartilhar corretamente esse precioso bem que a natureza nos concede.

Os desperdícios de água não se limitam apenas ao pequeno consumidor, nas grandes cidades. Só a agricultura mundial é responsável pelo consumo de 80% da água usada no mundo. Porém, dos 2.500 bilhões de metros cúbicos que consome, 60% é perdida por evaporação e vazamentos. Por outro lado, tornou-se comum o lançamento de esgotos domésticos, municipais e ou industriais em córregos e rios urbanos, o que também é uma forma de desperdício de água.

Enquanto, até mesmo nos países ricos se perde 15% dos abastecimentos municipais, nas regiões menos desenvolvidas a quantidade de água tratada perdida através de vazamentos em sua infra-estrutura ultrapassa os 50%. São números impressionantes, que em condições normais quebrariam qualquer indústria, e por isso encarecem os serviços de saneamento, dificultando a busca pela tão almejada universalização, ou seja, dotar de água tratada 100% da população.

Um agravante para esta situação é a existência de regiões que sofrem com constante escassez de água. Neste caso, muitas vezes países inteiros vivem com uma disponibilidade hídrica abaixo dos valores mínimos recomendados pela ONU, com graves reflexos sobre a economia, a saúde e o bem estar das populações.

Contudo, a água através do ciclo hidrológico forma um sistema fechado. Se por um lado, isto significa dizer, que nunca teremos mais água do que temos hoje, por outro, também nunca teremos menos. No entanto, nós já temos toda água que precisamos. O risco que se corre é a diminuição da oferta de água de boa qualidade.

Matematicamente isto pode ser facilmente demonstrado. Dos 1,3 trilhões de km3 de água existente no Planeta, apenas 13 bilhões de km3 são de água doce, que é, aquela parcela apta para consumo humano, portanto, 2 bilhões de metros cúbicos por habitante. Parece muito, pois se por um lado uma pessoa necessita de menos de 3 litros de água por dia para sobreviver, por outro na agricultura para produzir 1 tonelada de batata, são necessários 246 mil litros, e na indústria cerca de 400 mil litros são gastos para produzir apenas um carro.

Pode parecer paradoxal, mas pode-se afirmar que a humanidade não precisa de mais água, o que é necessário é que ela seja mais inteligente com relação aos usos, que fazemos, da água. E uma das maneiras mais simples, mas para a qual todos podem contribuir, é lutando contra o desperdício, que é resultante de más ações, as quais devemos combater, tais como: poluir água de boa qualidade lançando esgotos domésticos e ou industrial nos córregos e rios; usar água de boa qualidade para fins menos exigentes, por exemplo, lavando ruas e sarjetas ou irrigando áreas verdes com água tratada; não fazendo o reúso da água; limpar calçadas usando "vassouras hidráulicas" (mangueiras ou lava jatos), e deixar a torneira aberta para se barbear ou escovar os dentes ou tomar banhos demorados, entre outras.

Às empresas, que prestam serviços de abastecimento de água, compete cuidar da infra-estrutura, substituindo as canalizações antigas, evitando o uso de materiais de baixa qualidade, ter rígido controle sobre a medição dos volumes captados, tratados, distribuído e consumido, e promover campanhas de esclarecimento a população.

Como se vê, então, não é um interesse unilateral o combate ao desperdício da água, e a sua utilização deve ser sustentável, isto é, deve ser administrada por todos, com o objetivo de atender a sociedade agora e no futuro, mantendo a integridade ecológica e hidrológica do meio ambiente. Portanto, o uso sustentável da água necessita de um compromisso no presente, para atender as nossas necessidades sem comprometer as futuras gerações.

Luiz Airton Gomes é professor associado do Desa/UFMT, engenheiro civil, sanitarista e PhD em Engenharia Ambiental. E-mail: la.gomes@ terra.com.br

Voltar Imprimir

Comentários

Enquete

Qual sua opinião sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos?

Parcial

Edição digital

Quarta-feira, 16/01/2019

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 18,40 -0,27%

Algodão R$ 97,15 -0,46%

Boi a Vista R$ 133,00 -3,62%

Soja Disponível R$ 62,60 -1,88%

Classi fácil
btn-loja-virtual

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados, Gráfica Millenium e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2018 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.