25.04.2004 | 03h00
Por esta coluna escrevi alguns artigos sobre possíveis motivos que levaram à deposição e morte do governador do Estado Antônio Paes de Barros ou Totó Paes, em 6 de julho de 1906.
Acho que esse assunto não foi ainda devidamente estudado. Tem um ou outro estudo que ajuda a construir a verdade sobre aquele acontecimento. A maioria não o é, no entanto. Se criou uma imagem sobre um personagem e momento que talvez não seja a verdadeira. Se repete quase sempre a mesma história, aquela construída pelos ganhadores do confronto político daquele momento.
Talvez por causa das publicações que aqui fiz, recebi um documento de 48 páginas, escrito por alguém envolvido de perto com os acontecimentos que levaram àquele fato. É um achado histórico.
Você acreditaria que os senadores Rui Barbosa, Pinheiro Machado e Joaquim Murtinho, por serem oposição ferrenha ao presidente Rodrigues Alves, acabaram ajudando na deposição e morte de Totó Paes? Você acreditaria que a anexação do Acre pelo Brasil ajudou naquele infausto acontecimento em Mato Grosso? Siga estas mal traçadas nesses próximos artigos e aí talvez você dará razão ao autor dessa nova e interessante teoria.
Quem é ele? É João Francisco de Novaes Paes Barreto que, em 1902, era juiz de direito em Cuiabá. Em 1903 foi nomeado secretário de Governo do Estado de Mato Grosso. Saiu em 1905 da função. Foi escolhido deputado federal em maio de 1906, exerceu o mandato até dezembro de 1911.
Ele foi secretário de Governo de Totó Paes, uma espécie de Casa Civil de hoje. É alguém que viu os fatos por um prisma que merece ser analisado. Suas interpretações dão um chega-pra-lá em várias análises sobre o fato. Peço paciência ao leitor pois terei que usar quatro artigos para tentar resumir o que ele escreveu.
Ele diz que Mato Grosso, antes da construção da ferrovia Noroeste do Brasil, estava isolado do resto do país. Que esse isolacionismo acaba influenciando a vida política e administrativa do Estado e também o comportamento das pessoas. Mostra que o Estado fazia extensas fronteiras com a Bolívia e o Paraguai e que, por isso, o governo federal havia colocado aqui várias guarnições militares e até uma base naval.
Cita o Forte de Coimbra, Arsenal de Guerra de Cuiabá, Arsenal da Marinha em Ladário, Fábrica de Pólvora do Coxipó, cavalaria em Nioac e batalhões de infantaria e artilharia em Cáceres, Corumbá e Cuiabá.
Diz que, frente a essa realidade, os governos estaduais "eram praticamente prisioneiros das forças federais". Elas não lhes deviam obediência. A autonomia e soberania local era uma ficção. Comenta sobre várias revoluções locais que nasceram nesses quartéis. Diz que era só a guarnição militar deixar de fornecer munição a um lado em luta que estava derrotado. Enumera vários casos e até o de Totó Paes.
Que ele, depois de onze dias de combate, deixou de receber munição, teve que abandonar a luta e se retirou para a Fábrica de Pólvora do Coxipó, onde foi assassinado.
Tem dois telegramas dele, escritos pouco tempo antes de morrer, um ao presidente Rodrigues Alves e outro ao autor, que mostra isso. Os telegramas não chegaram a ser enviados, foram entregues depois à viúva de Totó Paes.
Mas antes que se chegasse a esse desfecho final é preciso contar a história que o antecede. Os próximos artigos tratam dos fatos diretos daquele trepidante momento. E Paes Barreto estava no meio dos acontecimentos.
Alfredo da Mota Menezes escreve em A Gazeta.
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LUIZ EDUARDO DE ARRUDA - 28/01/2026
Totó Paz foi um assassino. Invadiu a fazenda e assassinou João Antônio Pimenta, irmão da minha avó e o filho dele Antônio João Pimenta de apenas 10 anos. É um fato real Eu conheço e visitei a sepultura deles. No fim esse assassino teve o que merecia.
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