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28.03.2008 | 03h00

O algoz

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O dicionário Aurélio define como "algoz": carrasco; que mata ou aflige outro; coisa que magoa. O que se tem visto no Brasil é que, todas estas qualificações, que nada apresentam de virtudes, podem ser aplicadas a um bicho bem pequeno, que vem causando dor a muita gente nos últimos anos. É o conhecido mosquito da dengue, o Aedes aegypti, que contabiliza vítimas aos milhares no país, sem fazer distinção de idade ou condição social.

De tempos em tempos as campanhas contra o bicho são intensificadas. Usa-se todo tipo de ferramenta que a comunicação oferece na tentativa de promover a diminuição do número de casos da dengue, doença provocada pelo algoz em questão. Mas a coisa não muda de figura. Aliás, muda sim, piora. Antes, quem "pegava" dengue ficava em casa, de cama, com dor no corpo todo, por aproximadamente uma semana. Hoje, não há paracetamol que resolva.

Hospitais estão lotados. E centenas de casos terminam no cemitério. Dias atrás uma pesquisa alertava que até o feto, na barriga da mãe que tenha contraído dengue, corre risco de ter a doença. Ninguém escapa.

No Rio de Janeiro, onde o número de vítimas fatais cresce diariamente, o Sindicato dos Médicos informou que entregará à Defensoria Pública da União relatório completo sobre a epidemia de dengue no estado, ajuizando ação coletiva de reparação de dano moral e material, em conseqüência das mortes provocadas pela doença. Aí está de novo o algoz minúsculo, que rompe as barreiras dos hospitais e vai parar na Justiça.

O Ministério da Saúde busca se unir ao Ministério da Defesa, Exército, Marinha e Aeronáutica para tentar combater o mosquito transmissor da dengue em cidades do Rio. Além disso, o Centro de Comando da Operação contra a Dengue, coordenado pela Defesa Civil do Rio de Janeiro, promove um programa comunitário de treinamento para capacitar o cidadão a atuar voluntariamente no combate ao Aedes aegypti.

Em Cuiabá, a possibilidade de também haver uma epidemia da doença fez com que fosse reativado o Comitê Municipal de Combate à Dengue. Não tem jeito. A população precisa se unir em mutirões, rua a rua, bairro a bairro, para promover uma faxina geral em todo lugar que possa ser ou esteja sendo foco da doença. E essa história de mutirão não é clichê, é emergência mesmo.

No momento, dão há tempo de discutir de quem é a culpa: de cada um, do vizinho, do dono do terreno baldio ou das instituições governamentais que, sabidamente, não oferecem ao cidadão condições adequadas de saneamento e criam forças-tarefas para remediar aquilo que não foi prevenido. Não há tempo. O cidadão (e cada governante deve lembrar que é, primeiramente, um cidadão) precisa agir, limpar tudo, fazer aquilo que já sabe, há muito tempo, que precisa fazer. Não é urgência. É emergência.

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