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31.10.2009 | 03h00

Tem vaga, mas não tem profissional...

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Trabalhar no mercado de desenvolvimento e seleção de profissionais tem sido uma experiência bastante estressante. Por um lado, convivemos com um mercado de inúmeros profissionais com o currículo em mãos, sedentos por novas oportunidades de carreira, na busca de melhores salários e crescimento profissional. Por outro lado, vemos empresas buscando profissionais competentes, comprometidos com a carreira, que somem valores, pela criatividade, potencial técnico, bom relacionamento interpessoal, facilidade de comunicação, dentre outras competências almejadas. O que nos impressiona é o resultado desta combinação: vagas não preenchidas por longos períodos (meses, e em alguns casos, anos), por falta de profissionais; e profissionais desempregados, por meses (ou anos), sem grandes chances de recolocação. O que está acontecendo neste mercado? Há algo de bastante incongruente nessa realidade, visto que, a princípio, temos oferta e demanda suficientes para, ao menos, atender às duas partes interessadas: empresas contratando profissionais e nível de desemprego reduzindo. Mas o que ouvimos, diariamente, é a reclamação de inúmeras empresas que não conseguem fechar suas vagas e a de profissionais que não conseguem empregos.

Podemos avaliar a situação por diversos ângulos:

1. O mercado não dispõe do volume de profissionais, técnica e comportamentalmente, aptos para as vagas abertas, por deficiência ou carência de instituições profissionalizantes e de empresas com modelos de gestão que gerem profissionais excelentes;

2. Muitos "profissionais" não estão dispostos a utilizar seu tempo para estudar e se desenvolver; têm "preguiça" mesmo, estão na busca de "emprego", e não de verdadeiras oportunidades;

3. A velocidade de crescimento da economia no Brasil e especialmente em Mato Grosso, demanda por um volume de profissionais não disponível no mercado, principalmente em carreiras técnicas;

4. Há excesso de profissionais qualificados para carreiras para as quais não há grande demanda.

Poderíamos citar outras situações, mas estas são as mais comuns. O que fazer, então, para levar a empresa ao crescimento diante deste cenário?

Como garantir que as oportunidades de negócio sejam aproveitadas com tamanha dificuldade em localizar profissionais no mercado de trabalho?

Claro que alternativas existem e podem também ser tentadas, quando o tempo é curto e precisa-se de respostas imediatas. Para o contexto em análise, usa-se a estratégia de buscar pessoas em outros mercados do país, o que resolve a situação no curto prazo, mas, no médio e longo, gera rotatividade em virtude da dificuldade de adaptação do profissional a uma nova realidade sociocultural, em locais muitas vezes distantes da família. Pode-se também usar da técnica "hunting", que significa convidar pessoas que trabalham em Empresas concorrentes. Literalmente "caçar" talentos. O problema é que o hunting "inflaciona" o mercado e não é suficiente para uma realidade de alta demanda por profissionais. Isto porque, em síntese, não temos, no Brasil, o tipo de profissional desejado, empregado ou desempregado. Como lidar com este cenário em um ambiente onde as perspectivas de crescimento para os próximos anos são tão otimistas?

A resposta ideal é: desenvolver pessoas.

Desenvolver competências, então, é a resposta para um futuro consistente, pois quem deseja ser desenvolvido não tem vícios de outros modelos de gestão e está totalmente disponível para aprender e mostrar seu valor.

Claro que estamos falando de forma genérica, pois profissionais que querem ganhar dinheiro sem a contrapartida da competência e do comprometimento, aparecem em todos os níveis da carreira, inclusive de estagiários...

Empresas que desenvolvem seus funcionários conseguem gerar mão-de-obra para o seu próprio processo de crescimento e, ainda, contribuem para a melhoria socioeconômica da população. Oferecem oportunidade de aprendizado para melhorar o nível cultural dos profissionais, ampliando perspectivas de carreira.

Por outro lado, desenvolver pessoas requer tempo, por isso precisa fazer parte de um projeto de médio e longo prazo, de forma a garantir a visão de futuro da empresa.

Quem olha somente para os próximos seis meses, sem planejar aonde quer chegar daqui a alguns anos, pode estar caminhando para um resultado indesejado. E, como diz o antigo ditado, quando não se sabe aonde se quer chegar, qualquer caminho serve.

Lorena Lacerda é coach de executivos. E-mail: lorena@grupovalure.com.br

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