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SOB INVESTIGAÇÃO 28.04.2019 | 09h10

Ex-agente da Pastoral da Terra é encontrado morto; conflitos crescem em MT

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João Vieira

João Vieira

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Mato Grosso perdeu nesta semana um dos seus ex-agentes. Edmar Valdinei Rodrigues Branco, de 59 anos, foi encontrado morto na terça-feira (23), na Gleba Jangada Roncador, região de Chapada dos Guimarães (70 km de Cuiabá).

 

A morte de Edmar foi noticiada no mesmo dia em que a pastoral divulgou os dados do relatório Conflitos no Campo Brasil 2018, que apontou o crescimento no número de ocorrências registradas em Mato Grosso.

 

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De acordo com Wellington Rodrigues da Silva, agente da pastoral, Edmar atuou no órgão por dois anos, 2004 e 2005. Ele contou que a comissão está em busca de informações para saber o que, de fato, aconteceu com Edmar.

 

“Historicamente, a região em que ele morava foi marcada por conflitos, especialmente durante a construção da barragem do Manso. Não temos conhecimento de riscos para as famílias que moram na região atualmente”. 

 

A Polícia Civil de Chapada dos Guimarães, que atendeu a ocorrência, não se pronunciou sobre o crime, que segue em investigação. 

 

Dados 

 

Conforme o relatório, Mato Grosso ocupa o primeiro lugar no ranking de conflitos do campo no Centro-Oeste, isso se considerando o número da população que vive nos campos. 

 

Nesse cenário, o estado conta com 552 mil pessoas que moram no campo. Dessas, 28 mil sofreram ou se envolveram em conflitos no último ano. 

 

Em 36 dos 141 municípios do estado, a comissão registrou algum tipo de conflito, registrando um aumento de 24% se comparado com 2017. 

 

Subiu para 103,11% o número de famílias que sofreram ataques de pistoleiros, o que foi classificado como assustador. Além disso, aumentou em 13.650% o número de famílias expulsas por pistoleiros e fazendeiros sem mandado judicial. 

 

Só em 2018, 663 famílias foram despejadas, 550 expulsas, 1.164 famílias vítimas de pistolagem, 1.904 conflitos por terras indígenas, além de 1.674 trabalhadores sem-terra envolvidos em conflitos. 

 

“A violência se mantém presente na vida dos povos mais vulneráveis do campo. Uma realidade que teima em manter sob o olhar de todos”, finalizou a comissão.

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