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14.09.2018 | 07h44

Gilberto Lopes defende taxar fortunas - entrevista

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A taxação das grandes fortunas, o que, em Mato Grosso, significa ac obrança de impostos sobre a produção agrícola é uma das principais teses defendidas pelo candidato ao Senado do PSOL, Gilberto Lopes Filho. Participando da Rodada Gazeta de entrevistas, ele defendeu que em um Estado no qual todos os anos as safras batem recordes, “não deveria ter ninguém passando fome”.

Marcus Vaillant

Gilberto Lopes

Para Gilberto Lopes, usar essa riqueza que Mato Grosso produz é uma forma eficiente de acabar, não apenas com a pobreza no Estado, mas reduzir os índices de violência e gerar mais oportunidade à população.

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Ele também falou sobre a opção do PSOL em não se coligar com outros partidos, as dificuldades que a legenda enfrenta nas campanhas eleitorais por conta disso e afirmou que a agremiação é a única que representa um contraponto à atual forma de fazer política no país.

Confira a íntegra da entrevista.

As duas vagas disponíveis para Mato Grosso no Senado neste ano estão bastante disputadas, qual a principal proposta que o senhor tem apresentado aos eleitores para convencê-los de que é a melhor escolha no dia 7 de outubro?

Mato Grosso tem um deficit [financeiro] desde que foi criada a Lei Kandir, em 1996. Até 2007, R$ 9 bilhões não foram pagos, então, queremos criar um fundo para inclusão social do desenvolvimento sustentável e uma emenda para concluir a obra do Hospital Regional de Cuiabá, que esta inacabada.

Como deve ser essa proposta de um fundo para a área social?

O orçamento público de Mato Grosso é de R$ 20 bilhões para 2019. O agronegócio arrecada três orçamentos paralelos, mas sem pagar imposto. A intenção é amarrar 3% no Auxílio Financeiro de Fomento às Exportações (FEX), que vem para o Estado, e dar um incremento no orçamento para investir no social, que seria uma taxação aos produtores no retorno do capital. Os produtores vão continuar exportando. O produto que sai para exportação sai como isento e nós vamos intensificar para que não seja sonegado.

O partido tem outras propostas para essa parte econômica, já que enfrentamos uma crise que afetou, não só Mato Grosso, como o país todo?

Queremos a taxação das grandes fortunas. Mato Grosso não deveria ter ninguém passando fome. Todo ano, tem safra recorde e precisa investir com esse dinheiro e, com isso, se diminui a violência também, porque se dá mais oportunidade às pessoas. Por isso, achamos que é preciso uma contribuição maior dos grandes produtores.

O que o partido e o senhor acham sobre ocupações ou invasões de propriedades?

Não defendo a ocupação de propriedade privada. A proposta é para que os ricos também contribuam, que paguem imposto para que haja equilíbrio entre os extremos.

Qual sua avaliação sobre atual governo? Acha que poderia ter sido feito mais nos últimos quatro anos?

Os governadores são representantes dos segmentos e as campanhas são financiadas pela elite. Quando eleito, o mandato não é dele. É por isso que o PSOL não coliga. Como o voto do nosso partido é expontâneo, temos a liberdade de gerir em prol do povo. Os últimos governadores, até o atual, não tiveram voz. Quem manda são os financiadores, eles são apenas fantoches e não têm compromisso com o povo, mas sim com quem ajudou a financiar a campanha.

Sem uma coligação e, de certa forma, contra os grandes financiadores, é mais difícil fazer uma campanha eleitoral. Qual a estratégia do PSOL para vencer esses obstáculos?

Temos em torno de R$ 100 mil para fazer campanha para todos os candidatos do partido. É dinheiro para material de campanha e investimento nas redes sociais. As redes sociais e o corpo a corpo com o eleitor são a melhor opção para apresentar nossas propostas e buscar o voto.

Qual a opinião do senhor sobre os incentivos fiscais, que já foram alvo de várias investigações de corrupção no Estado?

É preciso modificar o modelo? Os barões não têm interesse que a indústria chegue à Mato Grosso, porque essa forma atual é muito mais prática e a distribuição de renda é muito desigual. É preciso uma revisão e uma fiscalização maior nesse modelo.

O que o senhor acha sobre temas polêmicos como o casamento homoafetivo, aborto e a liberação das drogas no Brasil?

Nós não podemos interferir nas opções individuais das pessoas. Qualquer cidadão pode manter uma união estável e a questão da sexualidade é individual. O coletivo não deve intervir. Na questão do uso de drogas, eu sou contra porque o Brasil não está preparado. As drogas interferem na personalidade da pessoa. Em relação ao aborto, na minha opinião, é preciso fazer um plebiscito.

Muitos filiados do PSOL criticam o caciquismo na legenda e o fato de existir uma única liderança, que é o procurador Mauro, que mantém uma postura de não coligar com outros partidos. Há mesmo esse atrito dentro da sigla?

O procurador não tem nenhuma função no diretório. Nosso presidente é o José Roberto. Não coligamos para não nos contaminarmos com a corrupção. Hoje, na disputa, temos três chapas com notórios corruptos. O PSOL é a única oposição a essa política que está posta aí.

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