Delação 09.06.2019 | 15h44

pablo@gazetadigital.com.br
João Vieira
Em seu depoimento como colaborador unilateral na Justiça Federal, o ex-deputado estadual José Riva, afirma que o ex-governador e ex-ministro Blairo Maggi (PP), tentou convencê-lo para que o indicado para a vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE) fosse o então secretário da época Eder Moraes.
De acordo com Riva, Blairo realizou dias reuniões para tentar "acertar" que a vaga deixada pelo ex-conselheiro Alencar Soares ficasse com Eder e não com Sérgio Ricardo, como ocorreu.
"Eu sou chamado para uma reunião no Palácio onde o Blairo coloca se é possível a vaga para o Eder. E eu respondo que era muito difícil arrumar essa vaga para o Eder (Moraes). Porque mesmo que o Sérgio (Ricardo) não quisesse ir, existiam outros deputados que queriam ir, e acho muito difícil a Assembleia aceitar que a vaga, que era da Assembleia, passar para o governo", diz Riva em seu depoimento ao juiz federal Jefferson Schneider, da 5ª Vara Federal de Mato Grosso.
Leia também - Riva detalha 'negociata' de 15 milhões e aval de Maggi
O ex-presidente da Assembleia ainda diz que semanas depois da primeira conversar, Maggi o teria chamado novamente para uma reunião, onde teria pedido o compromisso de Riva para garantir a indicação de Eder Moraes em uma segunda vaga para o TCE, que ele estaria articulando.
"Mas ele não conseguiu essa vaga, ele me ligou um dia e disse para tocar o projeto do Sérgio Ricardo que não tinha conseguido a segunda vaga para o Eder", explicou Riva em seu depoimento.
O ex-parlamentar também afirma que Maggi chegou a consultar alguns conselheiros para ver a possibilidade de aposentadoria para que Eder Moraes fosse indicado nesta segunda vaga.
"Eu conversei com o conselheiro Antônio Joaquim e ele me disse que perguntaram para ele se ele teria interesse em sair e ele disse que não. Ele mesmo me contou", afirma Riva.
José Riva prestou reinterrogatório em 15 de março, já na condição de colaborador unilateral na ação penal que investiga a suposta compra de vagas no TCE.
O Ministério Público Federal (MPF) concordou com a proposta da defesa de Riva e deverá analisar os benéficos que Riva poderá ter no final da ação.
Riva ainda afirma que a vaga deixada por Alencar Soares custou no final R$ 15 milhões, sendo que R$ 4 milhões foram articulados por Blairo Maggi e Eder Moraes, R$ 6 milhões por Sérgio Ricardo e R$ 5 milhões por ele próprio.
Atualmente Sérgio Ricardo está afastado de suas funções e todos tiveram os bens bloqueados em R$ 4 milhões.
Sérgio Ricardo, Eder Moraes e Blairo Maggi negam as acusações desde que o caso veio à tona em 2014.
Outro lado
O GD procurou os citados pela reportagem, mas eles não quiseram se manifestar sobre o assunto.
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