meio ambiente 22.08.2019 | 10h15

viviane@gazetadigital.com.br
Mayke Toscano/Secom-MT
Após sobrevoo em pontos de queimadas na região Norte, em Cuiabá e Chapada dos Guimarães, nesta quarta-feira (21), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, atribuiu os incêndios ao calor, à baixa umidade e ao vento forte, e disse que a área urbana é a mais atingida. Acompanhado do governador Mauro Mendes (DEM), o ministro concedeu uma entrevista coletiva no aeroporto Internacional Marechal Rondon e falou sobre a origem das queimadas, concordando parcialmente com o presidente Jair Bolsonaro, que avaliou que o aumento dos focos de incêndio pode ser intencional.
“Aqui na cidade, claramente, no perímetro urbano, o fogo é colocado de forma proposital. Inclusive uma área maior agora de fogo, aparentemente em área de concentração de lixo, a pessoa provocou e estava pegando fogo na hora que estávamos sobrevoando. Isso foi observado também pelo governador Mauro Mendes. O que é muito ruim para a saúde da cidade e o governador tem feito um grande esforço nesse sentido”.
Sobre denúncias que pecuaristas e agropcecuaristas estaria ateando fogo em áreas rurais como forma de manifestação, de acordo com o ministro, todas as atividades criminosas, em desacordo com a lei, precisam ser duramente punidas. "Não há incentivo nenhum (por parte do governo Federal), muito pleo contrário, há uma incisividade muito grande contra quaisquer atividades criminosas. Nossa Amazônia tem área equivalente a 48 países da Europa, portanto, uma área vasta, de difícil de fiscalização. Mas precisamos, cada vez mais, ter mais técnica, mais tecnologia".
Neste ponto, Salles inalteceu o que está sendo feito pelo governo de Mato Grosso, com o sistema de monitoramento de alta resolução "o que vai ajudar muito no combate às ilegalidades, quer seja no desmatamento, no combate ao fogo, e todas as outras irregularidades que precisam ser duramente combatidas".
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O ministro negou que tenha havido cortes na destinação final de recursos para o trabalho de combate a incêndios. “Com uma parceria do governo do Estado e o governo Federal, em todos os estados da Amazônia, colocamos equipes do Ibama e do Instituto Nacional Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade ( ICMBio ). No caso aqui da Chapada dos Guimarães, 69 brigadistas, do Ibama, e mais 20 do Corpo de Bombeiros do Estado, além de 4 aeronaves foram disponibilizados”.
Ele ressaltou que a área queimada corresponde a 10 mil hectares, dos quais 3 mil dentro do Parque. “O fogo que se proliferou rapidamente, durante o período de 24 horas, em razão do calor, baixa umidade e vento forte, foi extinto no domingo”.
Uma semana depois de o governo norueguês anunciar o corte de uma doação de R$ 133 milhões ao Fundo Amazônia, o ministro afirmou que as regras do projeto estão em negociação, inclusive porque "há uma demanda dos estados" por recursos e equipamentos. “Nossa Amazônia tem área equivalente a 48 países da Europa, portanto, uma área vasta, grande, de difícil fiscalização — afirmou, defendendo um monitoramento de alta resolução".
Agronegócio
Salses comentou ainda sobre as críticas do ex-governador e ex-ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que demonstrou preocupação com o futuro do agronegócio em consequência ao radicalismo no discurso do presidente Jair Bolsonaro em relação ao meio ambiente. Recentemente, o também ex-governador Maggi declarou que teme que o mercado internacional inicie uma retaliação ao governo brasileiro, o que poderia prejudicar as exportações de commodities do país.
“O agronegócio brasileiro é um exemplo de sustentabilidade. Faz agricultura sustentável com boas práticas. Mas nem por isso estamos imunes às críticas, razão pela qual o Brasil precisa, permanentemente, manter essas boas práticas e mostrar que segue regras internacionais, inclusive, com relação às mudanças climáticas e ao Acordo de Paris".
Para ele, o Brasil precisas receber mais recursos em razão das políticas públicas para o setor. "Há oportunidades muito grandes, pagamentos por serviços ambientais, serviços ecossistêmicos, enfim, uma gama enorme de ativos ambientais brasileiros que precisam ser monetizados”.
O ministro visitou os municípios de Sinop e Sorriso, onde recentemente foi lançado o projeto Abafa Amazônia, na região Norte mato-grossense. A ação é realizada com o emprego das forças de segurança: Polícia Militar, Polícia Judiciária Civil, Corpo de Bombeiros Militar e Politec, além de órgãos como Defesa Civil e Comitê Estadual de Gestão do Fogo.
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