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07.02.2018 | 16h17

Marun diz que ataque contra Cristiane é ativismo político de parte do Judiciário

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O ministro da Secretaria de governo, Carlos Marun, disse em entrevista que não foi e nem vai procurar as lideranças do PTB para que o partido indique outro nome para substituir o da deputada Cristiane Brasil (RJ) para o Ministério do Trabalho, por conta das inúmeras denúncias que existem contra ela, agora acrescidas pela informação de que é alvo de um inquérito que apura suspeitas de tráfico de drogas e associação para o tráfico durante a campanha eleitoral de 2010, noticiado pelo Estado.

‘Os ataques são em função de um ativismo político de setores do Judiciário‘, desabafou o ministro, avisando que o presidente Michel Temer não abre mão da prerrogativa de nomear quem quiser.

‘Nem fui, nem vou‘ levar nenhum notícia ao PTB, pedindo para trocar o nome de Cristiane Brasil, declarou Marun. Para defender a tese de que as pressões contra a deputada fazem parte deste ativismo, o ministro criticou a demora do inquérito que apura estas acusações de ligação dela com o tráfico. ‘Errou quem deixou inquérito parado tanto tempo‘, prosseguiu o ministro, lembrando que ‘a investigação levou sete anos sendo feita e não chegou a lugar nenhum justamente porque era fruto de ativismo político‘.

Desgaste

Marun negou que haja desgaste político por conta da pressão pela desistência do governo em relação à indicação de Cristiane Brasil. Para ele, o governo continuará insistindo na designação da deputada para o Ministério do Trabalho porque ‘é uma prerrogativa do presidente da República nomear ministros e isto está escrito na Constituição‘.

E emendou: ‘Lutar pela Constituição vale independentemente do tempo que dure.‘

Questionado se não estava na hora de mudar de estratégia e desistir de Cristiane, Marun avisou: ‘Não é este o nosso objetivo. A luta é pelo estado de direito.‘

Indagado se o temor é de perder os votos da previdência do PTB, Marun disse que o governo conta ‘com a maioria dos votos do PTB‘.

Temer estava relutante em retirar o nome de Cristiane justamente por conta dos votos do partido, que é dirigido pelo pai da deputada. Embora Marun negue, diante do crescente desgaste por conta da insistência do PTB em manter o nome de Cristiane Brasil para assumir o Ministério do Trabalho, o governo mudou o discurso e já começou a discutir uma forma de pedir ao partido que indique um substituto para ela.

·ltimas denúncias

As últimas denúncias publicadas contra a deputada serviram para convencer o governo de que as dificuldades continuarão, com bombardeio contra Cristiane, mesmo que o Supremo Tribunal Federal (STF) a libere para tomar posse. A possibilidade começou a ser discutida, mas com todo cuidado, para não melindrar o PTB. Este, no entanto, não será um movimento que o presidente Michel Temer participará diretamente, embora ele tenha se reunido com os seus principais auxiliares diretos nos últimos dias para discutir este crescente problema.

O presidente Temer estava resistindo a concordar com a mudança porque entendia que precisava ser leal ao presidente do PTB, Roberto Jefferson, pai de Cristiane Brasil, que a indicou para o cargo.

Ministério da Indústria

Marun também afirmou nesta quarta-feira que, caso o PRB indique Marcos Jorge para ser o ministro definitivo da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o nome ‘será bem recebido‘, mas evitou dizer que já exista uma definição do presidente Michel Temer. ‘Se houver essa indicação ela será recebida e com respeito, mas não posso adiantar se o presidente vai aceitar‘, declarou.

Na terça à noite, a bancada do PRB na Câmara decidiu indicar o atual interino para o cargo. Secretário-executivo do Ministério, Jorge comanda a Pasta interinamente desde 3 de janeiro, quando o então titular da Pasta, Marcos Pereira, deixou o cargo.

Segundo auxiliares do presidente, a indicação ainda não chegou oficialmente no Planalto. Alguns auxiliares destacam que a tendência é que o nome de Jorge seja aceito, mas há também fontes que dizem que existem outros nomes ainda no ‘jogo‘. 

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