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Aprovação de alunos para UFMT 'viraliza' nas redes sociais

Otmar de Oliveira

Otmar de Oliveira

Familiares do estudante Carlos Augusto da Silva Duarte, 18, não souberam como reagir à notícia de que o filho havia sido aprovado em 2º lugar para o curso de psicologia na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Primeiro da família a ingressar em uma universidade pública, seu destino certo seria encontrar um emprego assim que terminasse o ensino médio.

 

"Eles vêm de uma linhagem de que quando você termina o ensino médio o que você tem que seguir é o trabalho. Universidade pública é para quem tem dinheiro. Até agora eles não sabem muito o que isso representa, mas eu entendo eles, é uma realidade muito diferente", disse o estudante. 

 

Neste ano, um grupo de 13 estudantes da Escola Estadual André Avelino Ribeiro, no bairro CPA 1, em Cuiabá, foi aprovado na UFMT. Por meio das redes sociais, a professora de língua portuguesa, Franciellen Mendes, fez uma publicação em que comemora as aprovações.

 

Ela foi responsável por organizar aulas solidárias de redação na unidade. Até a publicação desta matéria, haviam 21 mil compartilhamentos e 80 mil curtidas na postagem. Além de Carlos, ela também contou a história de Mariele Marques Brandão da Silva, 18, aprovada em primeiro lugar para o curso de química. 

 

"Em uma escola particular de 30 alunos nós conseguimos no mínimo 15 aprovações. É um aluno que tem toda uma estrutura familiar, tem todo um apoio. Aqui são cerca de 250 alunos e 13 aprovados. Eu falei para eles que a universidade federal é para o aluno da escola pública", disse a professora. 

 

No caso de Mariele, ao contrário de Carlos, sua mãe sempre a incentivou que ela tivesse um futuro distinto do resto da família. O sonho da matriarca era que ela estudasse e tivesse um diploma. Quando a estudante viu o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a primeira coisa que fez foi mostrar à mãe a sua nota da redação, de 900 pontos.

 

"Ela dava o que podia para eu conseguir chegar onde eu cheguei. Ela me fez entrar em vários tipos de curso. Ela sempre falava que eu tinha que estudar porque ela não teve essa oportunidade. Ela dizia 'eu quero que você tenha tudo o que eu não tive na vida'", disse.

 

A rotina dos dois, que frequentaram a vida inteira em escola pública, foi de muito estudo durante os últimos meses. Carlos, por exemplo, além de ter assistido às aulas solidárias, participou de mais dois cursinhos pré-vestibular gratuitos. Mariele criou uma rotina de estudos em que revisava tudo o que aprendeu em sala de aula em casa.

 

"Durante as aulas eu pegava o máximo que eu podia, dava uma olhada em casa e prestava bastante atenção no que estava acontecendo durante as aulas. A redação eu treinava uma vez por semana, conforme a professora propunha", disse Mariele.

 

Com câmeras em punho para registrar cada momento e voz embargada pela emoção, nesta quinta-feira (7) professores da escola estadual comemoraram a aprovação dos 13 estudantes, considerada um marco na história da instituição.

 

Em um auditório da escola, montaram uma mesa cheia de quitutes e pintaram o corpo dos estudantes com o anúncio do curso e instituição que cada um tinha passado. Para a professora Mariellen, o ingresso na universidade pública é a quebra de um ciclo. 

 

"Antes os pais estariam festejando o primeiro emprego, talvez um emprego como vendedor de loja. Agora você pensa o que esses meninos estão mudando na família. Agora talvez um primo, um irmão mais novo vão ver e querer fazer faculdade também", finalizou.

 

Veja vídeo: 

 


Fonte: Gazeta Digital

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