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Psicanalista atribui a banalização da violência ao aumento dos crimes de ódio

Chico Ferreira

Chico Ferreira

Psicanalista que atende em Cuiabá, Caroline Weiss, afirmou que massacres como o de Suzano, que aconteceu nesta quarta-feira (13), podem ser atribuídos à banalização da violência e a dificuldade de se lidar com o diferente.

 

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Em 13 de março, dois jovens identificados como Guilherme Taucci Monteiro, 17, e Luiz Henrique Castro, 25, entraram na Escola Estadual Professor Raul Brasil, no interior paulista,  fortemente armados e executaram 8 pessoas e depois cometeram suicídio. Ambos eram ex-alunos da unidade de ensino.

 

Weiss citou a proliferação da violência, como o incentivo ao uso de armas de fogo, por exemplo, como um dos fatores que influenciam para o acontecimento de crimes bárbaros. A banalização de situações de risco, para ela, está diretamente relacionada ao aumento de crimes de ódio. 

 

"O normal é que a as pessoas tenham medo de arma. A mata arma e a gente sabe o efeito da morte de alguém. O que está acontecendo com essa adolescência com esses jovens que acham que vão resolver as coisas matando o outro? Que se precisa de arma para se defender?". 

 

Não se sabe ainda a motivação do crime. Para a profissional, contudo, a adolescência e juventude é um período conturbado em que se depara com um novo círculo social e com expectativas futuras. Esta sobrecarga influencia para possíveis frustrações.

 

"A gente não pode colocar isso só em um único sentimento, às vezes vem acompanhado de um sentimento de desamparo. Uma coisa não acontece só por um motivo, então a gente precisa pensar na complexidade da situação", explicou.

 

Ela explicou que muitas vezes quando um indivíduo não encontra uma maneira de expressar a sua voz, ele vê na violência uma última alternativa para se fazer ouvido. As barbáries podem acontecer em situações de estresse, raiva e não pertencimento.

 

"Aquilo que ele não consegue falar ele coloca em ato. Então o que a gente percebe é que tem uma grande cena de visibilidade é que ele está querendo nos dizer alguma coisa. São muitas vezes situações de infância, de vida familiar que podem influenciar no comportamento".

 

Aumento da taxa de pessoas com transtornos psíquicos, como ansiedade, depressão e síndrome do pânico também pode ser atribuídos à falta de diálogo e de identificação com o mundo. 

 

"Precisamos ser cautelosos no sentido de pensar como é que estamos estabelecendo as nossas relações e temos feito os laços sociais. Isso é sintoma de uma sociedade adoecida. Uma dificuldade de as pessoas se relacionarem com o que é diferente dela", concluiu.


Fonte: Gazeta Digital

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