Um acidente na Estação de Tratamento de Água (ETA) do bairro Tijucal provocou o vazamento de 900 kg de cloro gasoso. O contato com o produto, que é altamente tóxico e corrosivo, pode matar em menos de um minuto. O cloro é utilizado pela Agência de Saneamento da Capital (Sanecap) para eliminar as bactérias da água. Com o acidente, 180 mil pessoas terão o abastecimento de água prejudicado durante 48h.
Assim que o produto vazou - por volta da 1h30 - o Corpo de Bombeiros foi acionado. A área ao redor da ETA foi isolada e as pessoas das casas vizinhas retiradas do local. Alguns moradores se sentiram mal. Nenhuma das cinco pessoas que trabalhavam na estação no momento do acidente ficaram feridas.
De acordo com o diretor técnico da Sanecap, Édio Ferraz Ribeiro, os técnicos estavam testando o cilindro de cloro quando a válvula de segurança abriu e o produto vazou. "Todas as vezes que o cilindro é trocado, por questões de segurança, é feito o teste. Os técnicos são preparados para conter pequenos vazamentos. Eles têm um kit de primeiros socorros. Como o vazamento foi maior, eles avisaram a empresa e nós imediatamente acionamos o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil".
O cloro se espalhou rapidamente fazendo com que muitas pessoas se sentissem mal. "O cheiro estava muito forte. Tive dor de cabeça e tontura. Minha gargante ficou ardendo", conta o fiscal de ônibus Daniel da Silva.
Para chegar até o cilindro, uma equipe do Corpo de Bombeiros e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), especializada para trabalhar com produtos perigosos, foi acionada.
Os técnicos colocaram roupas de borracha para evitar o contato do gás com a pele e máscaras. "Em cima do cloro que vazou os técnicos jogaram cal virgem, que funciona como neutralizante", explica o capitão do Corpo de Bombeiros, Wendel Carlos Silva.
Para isolar o cilindro com problemas, os técnicos precisaram manusear o outro cilindro que estava operando. Nesse momento houve um outro vazamento, que foi rapidamente controlado. O gás derreteu a roupa de borracha utilizada por um dos técnicos.
A ETA do Tijucal produz 300 mil metros cúbicos de água por semana, suficiente para abastecer 180 mil moradores da região do Coxipó e CPA.
"Assim que o problema for resolvido o abastecimento de água voltará ao normal. Pedimos que as pessoas economizem nas próximas 48h, para que ninguém fique sem água", ressalta o diretor técnico da Sanecap, Édio Ribeiro.
Segundo ele, o cilindro de cloro da ETA do Tijucal é trocado a cada sete dias. Na estação sempre ficam dois cilindros, um operando e outro na reserva. Esses cilindros são utilizados em todas as ETAs. Cada um pesa, depois de carregado, duas toneladas. Eles são envasados em Goiânia e trazidos para Cuiabá.
Para cada um litro de água é utilizado 1 miligrama de cloro gasoso. É um produto altamente tóxico, mas extremamente eficaz para matar as bactérias e tornar a água potável.
O acidente deixou os moradores vizinhos a ETA assustados. "Nunca imaginei que dentro dessa estação tivesse um produto tão perigoso assim. Fiquei com medo porque o cheiro estava muito forte. Minha mãe passou mal e precisou ser retirada de casa", diz a cobradora Eloita de França.
A toxidade do cloro gasoso é tão elevada que as plantas de pequeno porte ao redor da estação morreram. As árvores ficaram murchas, com as folhas retorcidas e com aparência queimada. "Aqui em casa os pés de algodão e de boldo morreram", reclama Eloita.