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Inclusão
Um mundo sem barulhos

Raquel Ferreira
Da Redação

Imagine um mundo sem sons, sem barulhos, como se tudo fosse num absoluto silêncio. É difícil pensar em uma vida normal sem poder ouvir uma música que se gosta, sem escutar a voz da pessoa querida. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) dão conta que 1,5% da população brasileira sofre de algum tipo de deficiência auditiva. Levando em consideração informações preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - censo 2000, que afirmam existir 169 milhões e 590.693 habitantes no país, cerca de 2 milhões e 500 mil pessoas têm problemas auditivos.

Para quem tem todos os órgãos e funções do corpo atuando perfeitamente, parece muito complicado ter algum tipo de limitação e as dificuldades existem, mas não ao ponto de evitar que os portadores de deficiência tenham uma vida normal. Claro que para isso acontecer as adaptações são necessárias para cada situação.

A diretora do Centro Estadual de Atendimento e Apoio ao Deficiente Auditivo (Ceada) Profª Arlete Pereira Migueletti, Zoraide Barbosa de Almeida Urcino, explica que os alunos têm vida ativa e são tratados como se não houvesse a deficiência. "As pessoas têm o costume de tratá-los como coitadinhos, mas eles são normais e têm muito potencial".

A escola é regular e oferece oficina de linguagem na qual o aluno aprende a base do português, além da Língua Brasileira de Sinais (Libras), que é o meio pelo qual os deficientes auditivos se comunicam com o mundo.

Como prova de que a capacidade dos alunos é tamanha, eles têm aulas de informática e educação física adaptada. Alguns também fazem parte do coral Sementes do Amanhã e Zoraide afirma que possui um projeto em andamento para a criação da fanfarra Ritmos do Silêncio.

Intérprete do Ceada, Caroline Martins Neves de Oliveira, 20, lembra que aprendeu a Libras porque sua irmã Aghatta, 19, tem o problema. "Aprendi o básico e convivendo com a comunidade de surdos passei a entender melhor a linguagem deles. Essa foi uma forma conversar e entender os sentimentos da minha irmã, entender o que ela sentia, viver isso junto com ela".

Além disso, Caroline é Testemunha de Jeová onde há um grupo de pessoas que falam sobre a Bíblia e religião por meio da Libras para quem não pode escutar.


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