Sou observador atento dos acontecimentos que envolvem o crescimento socioeconômico do meu Estado natal, o Mato Grosso territorialmente recém-dividido. Isto porque tive a feliz oportunidade de ser o primeiro governador após sua divisão, ocasião em que o trabalho eficiente de uma excelente equipe técnica assegurou as bases indispensáveis para a gestão das equipes subseqüentes.
Dos idos de 1979 aos dias de hoje, vejo, escuto, leio e no íntimo aprecio a somatória dos atos administrativos e políticos que tanto têm impulsionado o desenvolvimento de Mato Grosso, surpreendendo mesmo as demais unidades federadas do nosso país.
Hoje, aí está o presidente Lula vangloriando-se pelo notável crescimento da Nação, como se fora ele o direto autor da economia manipulada e gerada pela vasta iniciativa privada. Certo que medidas há da gestão presidencial consolidando o processo com nítidos e insofismáveis efeitos no intercâmbio internacional. Porém, falhas também existem, em destaque a polêmica da Amazônia brasileira, talvez representando mesmo o decair da decantada aura administrativa do governo Lula.
Veja o leitor: Como aceitar a nomeação de um antropólogo para o importante cargo de ministro do Meio Ambiente, que lá da capital francesa já dizia conhecer bem o estado do Rio de Janeiro e nada da Amazônia? Como aceitar, senhor presidente, as levianas acusações do seu novo ministro contra o governo do estado de Mato Grosso sem qualquer prévia análise dos problemas existentes? Como aceitar a "brilhante" idéia do ministro Carlos Minc de "empurrar" para os militares os deveres de sua pasta? E agora, a somar o disparate, como aceitar a noticiada captação por sua excelência Carlos Minc, lá na Alemanha, de nada menos que 150 milhões de euros para execução de programas na Amazônia? Já não bastam as 47 fazendas de estrangeiros plotadas na Amazônia? Onde, senhor presidente, a segurança nacional com a clara intenção do ministro Carlos Minc fazendo da Amazônia a garantia hipotecária do dinheiro estrangeiro?
Onde, senhor presidente, a verdadeira garantia aos brasileiros da sua magnífica Amazônia?
O governador Blairo Maggi tem toda razão a se ver acossado por ações desse tipo merecendo indiscutível atenção do presidente Lula e seus ministros.
O problema existe como também são conhecidas soluções, mesmo considerando que não figuram no demagógico PAC nacional.
Aqui fica o meu solidário protesto, em defesa do governo deste Estado que deu exemplo ao Brasil do desenvolvimento sem o paternalismo federal, apenas acreditando nos brasileiros que para cá vieram.
Frederico Carlos Soares Campos é engenheiro e ex-governador de Mato Grosso de 1979 a 1983. E-mail: fcscn@hotmail.com