As empresas que participaram do esquema de desvio de recursos públicos da Câmara Municipal de Cuiabá na gestão da ex-presidente, deputada Chica Nunes (PSDB), pagaram até salário mínimo para "laranjas" que emprestaram os nomes na tentativa de dissimular as fraudes em notas fiscais do Legislativo.
Isso é o que foi descoberto durante as investigações desencadeadas pela Delegacia Fazendária em relação à gestão da ex-presidente do Legislativo, deputada Chica Nunes. As pessoas emprestaram nomes para abertura de pelo menos seis empresas de Cuiabá, Santo Antônio do Leverger, Jangada e Várzea Grande. Em troca, receberam salário por um período de até seis meses.
As empresas eram ligadas ao empresário Silas Lino de Oliveira, responsável por abrir empresas de forma fraudulenta e pagar os laranjas. Todas participaram de processos licitatórios e faziam vendas para a Câmara através de notas fiscais falsas e até clonadas de empresas que não tinham nada a ver com o esquema.
A Metaflex e a Empório, ambas de Cuiabá, tiveram notas fiscais clonadas no esquema. A RFLO, ML da Costa Teixeira, Sampaio, ML da Costa Teixeira, Rio do Sol e ED Santana eram ligadas a Silas e estavam ligadas ao esquema, segundo denunciou inicialmente o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).
De acordo com os delegados que coordenam as investigações, Chica Nunes, seu marido, Marcelo Ribeiro, seus irmãos Elson Benedito e Benedito Elson Nunes, se reuniram com servidores da Câmara ligados ao esquema para acertar os detalhes e beneficiar nas compras as empresas indicadas por Silas. Por causa do esquema, Chica e mais sete pessoas serão indiciadas ao fim do inquérito.
Interrogatório - O advogado de Chica Nunes, Ricardo Almeida, será comunicado oficialmente na manhã de hoje para que a deputada escolha uma data para ser ouvida em depoimento. A assessoria de Chica garante que ela está em viagem e por isso não pode ser encontrada para comentar o assunto.