Apesar das micro e pequenas empresas de Mato Grosso figurarem no topo da lista do país no uso do computador, a utilização da internet por parte destes empreendimentos para divulgar produtos e serviços e até mesmo fechar vendas não é explorada na mesma proporção. Pesquisa realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em São Paulo (Sebrae-SP) aponta que, dos 89% dos empresários locais que disseram usar o computador no dia-a-dia, apenas 77% acessam à internet.
De acordo com o estudo do Sebrae, no Estado, apenas 17% das empresas entrevistas afirmaram que a empresa têm site, sendo que o restante (83%), afirmaram que não mantêm um endereço na internet. O índice é ainda menor, quando se refere à questão sobre a comercialização. Perguntados se alguma vez a empresa vendeu produtos e serviços por meio do comércio eletrônico, apenas 8% responderam positivamente, enquanto que outros 92% ainda não se arriscaram a negociar pela web. A pesquisa aponta que, em muitas empresas, o acesso à internet tem a finalidade de realizar serviços bancários e do governo, uso de e-mail, pesquisa de preços junto a fornecedores e até compra de mercadorias.
O presidente de conselho do Sebrae em Mato Grosso, Pedro Nadaf, que também é presidente da Federação do Comércio, Bens e Serviços de Mato Grosso (Fecomércio-MT), lamenta que o uso da internet em um Estado que é líder no uso de computadores ainda seja pequeno, mas considera que várias medidas estão sendo adotadas para reverter este quadro e reduzir o analfabetismo digital das micro e pequenas empresas estaduais.
"O Estado é empresarialmente mais informatizado do país, o que facilita na gestão das empresas, dando mais facilidade no acompanhamento dos negócios. Mas precisamos ter a cultura de usar a internet também para vender", considera o presidente ao informar que entre os projetos que já estão em desenvolvimento está o Automação Comercial.
Quem já apostou na internet como ferramenta de vendas e que está gostando dos resultados é o empresário Paulo Gasparoto. Sua rede de lojas, Decorliz, é encontrada na internet há cerca de dois anos endereço no qual o cliente pode navegar e fazer pedidos. Ele conta que tudo começou com a lista de casamento, opção para os convidados de fora do Estado para facilitar na hora de adquirir o presente. "Em qualquer lugar do Brasil a pessoa tem acesso à lista e adquirir o produto que os noivos pedem".
Gasparoto afirma que os produtos mais vendidos pelo site são justamente os ligados à lista, como utilidades domésticas e presentes, isso porque para a compra de outros como móveis e eletroeletrônicos, os consumidores ainda têm a necessidade de tocar, ver e experimentá-los antes de fechar a compra. "Mas podemos dizer que o acesso ao site e as vendas on line crescem constantemente. E isso depende da credibilidade do site e da confiança que o consumidor tem no portal que está oferecendo o serviço ou produto", diz ao considerar que as vendas pela internet é uma tendência do comércio varejista brasileiro.