O zootecnista Lauriston Bertelli, que tem mestrado em qualidade de reprodução animal e é diretor da Premix Técnica em Suplementação, explica que está sendo estudada uma forma de manejo do gado, objetivando a diminuição da emissão do gás metano na atmosfera. "Os bovinos, como sabemos, podem ter seu metabolismo alterado pela nutrição. Uma das soluções é fazer o melhoramento do manejo do pasto, que associado a uma boa nutrição diminui o tempo de abate do gado em cerca de um ano. Ou seja, com os animais abatidos precocemente significa menos emissão do gás metano na atmosfera".
Estudos recentes mostram que as perdas de energia bruta ingerida pelo animal, liberada via metano, pode variar de 2 a 12% do total produzido durante o dia. Ao longo de um ano a quantidade de gases produzida é gigantesca, se for considerado que cada bovino de corte produz de 60 a 71 kg/dia e, em casos de vacas leiteiras a situação é ainda pior, entre 109 e 126 kg/ animal/dia. Segundo Bertelli, sendo o (CH4) um potencial causador do efeito estufa, torna-se importante o desenvolvimento de algumas estratégias de manejo na alimentação dos bovinos, visando aumentar a eficiência de produção e a redução na emissão do gás para a atmosfera.
O especialista diz que nos dias de hoje os empresários do setor da pecuária têm que se adaptar a realidade ambiental e ser eficazes. Uma vez que o mundo não quer mais consumir produtos de origem animal que não venha de fontes sustentáveis, que respeitem ao mesmo tempo as pessoas, o meio ambiente e a legislação. "Hoje observamos que há um esforço das empresas privadas para tentar encontrar uma solução para este problema, por outro lado as entidades governamentais ainda não sinalizaram com nenhuma ação efetiva para o setor das pecuária, uma das mais importantes do país".diretor técnico da premix nutrição animal, Lauriston Bertelli, diz que a equipe técnica da empresa se uniu aos pesquisadores do laboratório do Departamento de Engenharia Rural da UNESP - Jaboticabal (SP) com objetivo de realizar um estudo para avaliar melhor os efeitos de dois aditivos alimentares bastante comuns na pecuária: a molécula orgânica Fator Premium e a Monensina sódica e compará-las a um tratamento controle com animais sem nenhum tipo de suplementação, para a produção de gás metano pela técnica de produção de gases in vitro.
O resultado foi que os tratamentos com o aditivo Fator Premium© reduziram a produção de metano em 17,57% e com a Monensina Sódica a redução foi de 13,50%, comparado ao tratamento controle. O princípio da técnica de produção de gases "in vitro" baseia-se na simulação dos processos químicos da digestão que ocorrem no rúmen por meio de incubação de amostras com líquido ruminal sob condições especiais em laboratório.
Para a coleta de conteúdo ruminal foi utilizada dieta a base de feno de Tifton (80%) e Concentrado (20%). Os técnicos simularam três situações com animais do rebanho controle, sem uso de aditivos, animais que receberam 4 gramas de Fator Premium na dieta por dia e outro grupo que foi suplementado com Monensina Sódica, na porção de 250 mg/animal/dia. Foram realizadas três incubações, cada uma com 24 horas de duração sendo que as amostras dos gases produzidos foram todas registradas e coletadas nos períodos de 9, 12 e 24 horas. (WT)