O poeta Edú Arruda Neto lança hoje à noite, no sesc Arsenal, o livro Flores na Janela (KCM Editora). Cuiabano que morou em São Paulo e nos Estados Unidos, o escritor tem poemas publicados em coletâneas estrangeiras e agora toma coragem de colocar à prova os textos que foram escritos ao longo dos últimos dez anos. Desde o primeiro livro, Ariadne (1991), Neto achou que necessitava de um maior amadurecimento para lançar outra obra e acredita que o momento é esse.
Neto confessa que Ariadne foi lançado meio que por acaso. Não havia completado 20 anos de idade e se considerava muito novo para isso. Não foi o que achou o acadêmico Arnaldo Niskier, que recebeu uma cópia do livro das mãos de seu pai, gostou e resolveu publicar. "O livro (Flores na Janela) é todo sobre amor. Então esse tipo de coisa a gente tem que vivenciar para escrever", analisa.
O autor revela que desde pequeno lê e escreve poesia. E sempre sobre esse mesmo tema. Porém, diz que é uma pessoa muito crítica com o que escreve. Nesse ínterim, foi amadurecendo e escrevendo um pouco de prosa também. Flores na Janela é uma mostra dos dois, tem uma parte de prosa e outra de poesia. São mais de cem poemas e mais uns 20 textos em prosa sobre o amor.
Neto garante que se sente mais à vontade escrevendo poesia, tanto que ela influencia o resto. "A minha prosa é uma prosa poética", observa. Uma paixão despertada por escritores/poetas que admira há muito e que o inspiraram bastante. No Brasil, gosta muito de um poeta chamado José Guilherme de Araújo Jorge. "Era um poeta dos anos 60 e 70. É um cara do Acre que ficou muito famoso. O que eu escrevo tem muito dele", salienta. Neto gosta também de Vinícius de Moraes, de Carlos Drummond e de outros menos conhecidos como Alphonsus de Guimaraens (pseudônimo do mineiro Afonso de Guimarães) - o livro tem um poema em homenagem a ele. O autor diz que se identifica bastante também com poetas estrangeiros como Robert Frost, Auden, Plath, Yeats e outros.
O fato de escrever um livro basicamente de poesia num país que não tem o hábito de ler esse tipo de texto não assusta Neto. Ele acha inclusive que faltam autores novos e isso pode ajudar. Segundo o autor, nos últimos 20 anos não apareceram poetas que se tornaram muito conhecidos. Hoje os mais conhecidos publicam três mil exemplares no máximo, em média fazem de mil a 1.500 exemplares. "É bastante complicado, mas não é por isso que a gente vai deixar de publicar", declara.
Neto tem algumas participações importantes no currículo. Ele estudou literatura americana e inglesa nos Estados Unidos entre 95 e 96 e isso ajudou a divulgar alguns trabalhos. Além disso, teve o incentivo do professor William Borksyte, do Wagner College, de Staten Island, que fez o prefácio de Flores na Janela. O escritor ganhou um concurso em 2001, de um site americano e teve a poesia publicada numa coletânea. No ano passado, Borksyte mandou uma poesia dele para um editor na Inglaterra, que gostou e publicou numa outra coletânea.
Apesar de ter conseguido emplacar alguns trabalhos, Neto garante que não tem ilusão de ficar famoso. "Gosto de escrever, gosto de divulgar poesia, não só a minha mas de todo mundo. Acho que quanto mais gente nós pudermos trazer melhor", enfatiza. Nesse sentido, desde que voltou dos EUA vem desenvolvendo um blog onde publica seus textos e as pessoas dão opinião. É, na verdade, um grande fórum. Onde se pode discutir, por exemplo, que a poesia não precisa ser algo restritivo. "Vejo muito, o pessoal que está começando tem muita preocupação de seguir a regra, fazer aquela coisa rimadinha. Você está aberto, faz o que quiser. Tem muita gente que tem medo se mostrar por causa disso. E é só mostrando que você vai amadurecendo", opina.
Serviço - O lançamento de Flores na Janela acontece hoje, às 20 horas, no Sesc Arsenal, com um show de MPB de Jane Acosta.