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25.07.2004 | 03h00

Carreira sólida e discreta de Ricardo Blat

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Muitos atores, para mostrar que são discretos, fazem um alarde daqueles sobre a tal alergia aos flashes dos paparazzi. Alguns, no entanto, fazem da maneira tradicional são discretos e ponto. Ricardo Blat é um destes. Primo do também ator Caio Blat, Ricardo, de 53 anos, concorda e se sente feliz ao ser chamado de discreto. "O sucesso é bom quando surge do resultado do seu trabalho", considera Ricardo. "Se acontece o oposto, você acaba construindo um castelo de cartas que pode ser derrubado por qualquer ventinho."

O tal castelo de Ricardo começou a ser construído nos anos 60, quando o ator paulistano ainda era um adolescente rebelde, louco por rock and roll, encarnado em ídolos como Lou Reed e Jimi Hendrix.

Dos 10 aos 17, Ricardo estudou num colégio em Mogi das Cruzes, onde foi descoberto numa peça da escola por um grupo de teatro amador da cidade. Já no Teatro Experimental Mogiano, conheceu a obra de Bertolt Brecht e se apaixonou pelos palcos.

Poucos anos depois, Ricardo retornou a São Paulo, onde continuou no teatro amador. Em 1971, recebeu o primeiro convite profissional, para a peça Peer Gynt (de Ibsen), dirigida por Antunes Filho. Nesta época, Ricardo tinha um objetivo parecido com o que tem ainda hoje em dia, de transitar com talento pelo meio artístico.

Assim, em 1975, resolveu tentar a televisão. Seu primeiro trabalho foi em A Viagem, da Tupi. Ricardo interpretava Zeca personagem que gostava de samba e namorava a personagem de Teresa Sodré. "Ela me ajudou muito a lidar com as câmeras", conta Ricardo. Mais tarde, em 1994, a novela seria refilmada com sucesso pela Globo, com Irving São Paulo no papel de Zeca.

No ano seguinte, Ricardo foi para o Rio de Janeiro, direto para a Globo. Até hoje o rebelde João, de Estúpido Cupido, é um dos personagens mais queridos do ator. "Na época, tinha algumas questões muito parecidas com as do João. Era rebelde, engajado, queria viver da arte", conta Ricardo. "Mas sempre tive o apoio da minha família", ressalta o ator.

Depois, fez Sem Lenço, Sem Documento (em 77, também com texto de Mário Prata, autor de Estúpido Cupido), Te Contei? (78), de Cassiano Gabus Mendes, e Memórias de Amor (79), inspirada no romance O Ateneu, de Raul Pompéia. Em 1979, outro sucesso. Ricardo interpretou o jóquei Juliano na novela Marron Glacé, de Cassiano Gabus Mendes.

Embora tenha passado por outras emissoras além da Globo, seus papéis mais lembrados pelo público aconteceram na rede do plim plim. Um dos mais populares na década de 90 foi o Marujo de Mulheres de Areia (93), de Ivani Ribeiro. Seu último trabalho na telinha foi como o Cidinho da minissérie Hilda Furacão, em 98.

"Agora faço muito teatro e cinema", conta o ator, que participou de Xuxa Requebra, em 1990, e foi o Claudiomiro, de Carandiru (2003), de Hector Babenco. Ele também acabou de gravar dois filmes, Vinícius de Moraes, de Miguel Faria Jr., e Achados e Perdidos, de José Jofre. E ainda tem três projetos de teatro em andamento e duas oficinas de teatro para jovens.

A opção pelos palcos e sets de filmagem não é forçada. Ricardo até recebeu convite para participar de Senhora do Destino, mas na ocasião estreava As Cadeiras, de Ionescu. "O papel exigia dedicação total, não era uma participação pequena", revela Ricardo. "E eu sou um homem do teatro." Isso não quer dizer que Ricardo despreze a televisão. "Ela é ótima para mostrar para um número maior de pessoas o resultado da minha dedicação", diz o ator. "E, apesar da responsabilidade em respeitar sempre o telespectador, acredito que o trabalho sempre é bom quando usamos nossas energias certas", filosofa Ricardo.

A admiração do primo e amigo Caio Blat é, ao lado da discrição, outro motivo de orgulho na vida de Ricardo. "Desde criança ele sempre mostrou ser uma mente inquieta. Eu criava algumas histórias malucas e ele embarcava nelas", conta Ricardo. "Fico encantado com o respeito que ele nutre por mim."

Trabalhar em dupla é um dos planos profissionais dos Blat. Tanto que Caio já convidou Ricardo para a direção de uma adaptação teatral de Kafka. "Adoraria dirigi-lo", diz Ricardo. "Ele é um fofo!"

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