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26.03.2006 | 03h00

Patrícia Pillar se destacou quando fez Luana, a sem-terra do Rei do Gado

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Os traços finos e o porte elegante têm um efeito explícito na carreira de Patrícia Pillar: a atriz é sempre chamada para integrar tramas de época. Caso do remake de Sinhá Moça, de Benedito Ruy Barbosa na Globo, em que ela faz a Dona Cândida. Em pouco mais de 20 anos fazendo tevê, teatro e cinema, Patrícia acumulou considerável bagagem de novelas que contam histórias passadas. De tão habituada a este tipo de produção, a própria atriz reconhece esta sina e se diverte ao enumerar os trabalhos já realizados. "Nossa, no cinema eu fiz O Quatrilho, O Monge e a Filha do Carrasco, Amor & Cia. Na tevê, logo no início da carreira fiz a primeira versão de Sinhá Moça e Salomé. Estou até acostumada a sentir esse calorzão dos figurinos!", conta Patrícia, aos risos.

Coincidência ou não, seu último trabalho na televisão foi em 2004, na também de época Cabocla outra trama de Benedito Ruy Barbosa. Curiosamente, suas personagens de Cabocla e Sinhá Moça, a Emerenciana e a Dona Cândida, respectivamente, têm personalidades muito diferentes, mas uma vida parecidíssima: ambas vivem em ambientes rurais e são casadas com coronéis que disputam o poder dentro e fora dos limites de suas fazendas. Se o enredo do autor tem o tempero ao gosto de Patrícia, os figurinos usados nas cenas são considerados pela atriz o toque de magia dessas produções. "Essas roupas são lindas! Dá um trabalho danado colocá-las, mas é muito bonito. Aliás, não só a roupa, mas a época é belíssima!", derrete-se.

Fora da televisão, Patrícia é destaque também nos cinemas. A atriz está em cartaz na comédia brasileira Se Eu Fosse Você, de Daniel Filho, na pele da Doutora Cris. Mas o trabalho mais esperado por Patrícia é, sem dúvida, o filme Zuzu Angel. Nele, a atriz dará vida à personagem-título do longa-metragem. Previsto para estrear em agosto, o filme de Sérgio Rezende conta a saga da primeira estilista de moda brasileira reconhecida internacionalmente. "A Zuzu Angel é, sem dúvida, a personagem mais difícil que eu já interpretei até hoje em toda a minha carreira", afirma a atriz.

Você participou da primeira versão de Sinhá Moça, em 1986. Como é estar no remake da mesma trama, 20 anos depois?

É muito bacana! A base da trama é a mesma, mas naquela época eu interpretei outra personagem. Então são dois trabalhos diferentes. Além disso, direção e elenco eram outros. Acho que esta nova versão é, na verdade, um olhar diferente sobre a mesma obra, de 20 anos atrás. A atual equipe tem qualidade, os atores são maravilhosos. Uma parte do elenco, inclusive, era da novela Cabocla, meu trabalho mais recente na tevê. Então, é um pessoal com que eu já estou familiarizada. Existe uma intimidade que ajuda. Fora que este é mais um texto do Benedito Ruy Barbosa, autor por quem tenho grande admiração. Ele constrói diálogos maravilhosos! É muito gostoso de interpretar. E a história de Sinhá Moça é envolvente.

Na Sinhá Moça de 1986, você interpretou a misteriosa Ana do Véu. Como foi viver essa personagem na época?

Olha, era uma diversão porque a personagem era uma menina que estava prometida a um rapaz que nem conhecia. O pai da Ana, em retribuição a um favor, prometeu-a para o filho de Fontes, Rodolfo. Só que o rapaz foi para capital estudar. Então, ela ficou confinada sob o véu para não despertar o interesse em ninguém. O tempo foi passando, ela virou moça, mas sua percepção das coisas permaneceu infantil. É como se a Ana tivesse uma curiosidade enorme pelas coisas e a ingenuidade característica de uma criança.

Para você, qual a melhor coisa de fazer novelas de época?

Acho interessantíssimo o processo de produção como um todo. Os atores, equipe de produção e os telespectadores, todos entram em contato com o comportamento de uma época distante, um mundo totalmente fora do contexto atual. Então, o trabalho acaba se tornando uma oportunidade de estudar e conhecer um pouquinho mais a nossa história. Retratar um período rico da vida do país, com seus problemas e mazelas e, ao mesmo tempo, com o seu romantismo, é um trabalho que dá gosto. Quer dizer, existem vários aspectos que se somam. Acho isso fascinante! E com essas mesas de café da manhã tradicionais das novelas do Benedito Ruy Barbosa, é uma tentação louca! Tem muito doce bom, muito bolo...

Você participou também da primeira versão de Sinhá Moça. Há diferenças na construção da trama feita por Benedito Ruy Barbosa e, agora, pelas duas filhas do autor?

É muito difícil comparar as duas versões. Já faz 20 anos! Me recordo que a história era emocionante. Acho que as tramas podem mudar um pouquinho, mas o tema continuará o mesmo. Não consigo perceber as mudanças que ocorrem agora. As histórias certamente devem até estar mais bem-elaboradas. Eu acho que olhar de hoje proporciona essa evolução. Vou dar um exemplo: a imagem que eu consigo ter da obra é como se ela fosse a pintura de uma paisagem e o seu criador, um pintor pincelando aquele quadro. Só que 20 anos depois, o pintor não é o mesmo. Ele carrega consigo outros valores e ideais. Então, quando o pintor volta àquele quadro, provavelmente não pintará aquela paisagem da mesma maneira.

Que característica mais atrai você na sua personagem, a Cândida?

Eu vejo nela um mundo interior forte, misturado com um comportamento da época, de educação refinada, mas aparentemente leve. É um mundo assim, digamos, superficial. Essa mistura é o que acho o ponto mais interessante. Esse interior cheio de contradições, de vontades... Ao mesmo tempo, um comportamento totalmente voltado para o social, mantendo, porém, uma vida discreta dentro daquela sociedade. Essa dualidade, essa ambigüidade é uma característica muito marcante dela.

Você precisou fazer algum tipo de preparação especial para este trabalho?

Eu fiz umas aulas de balé clássico. Achei que tinha a ver, principalmente, em relação à postura em cena. Coletivamente, nós do elenco fizemos umas aulas de como se comia à mesa, de como se servia. Enfim, uma espécie de curso de etiqueta da época. Para completar a preparação, eu li bastante sobre a relação dos senhores de engenho com seus escravos. Um dos livros mais interessantes foi, sem dúvida, o Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freire. É muito prazeroso viver esse processo. Até hoje, por exemplo, eu só fiz cinco aulas de balé clássico na minha vida. Gostaria muito de poder fazer mais algumas aulas! De repente até dar seqüência à prática da dança.

Como foi para você construir duas personagens tão semelhantes, como a Emerenciana, de Cabocla e a Dona Cândida?

Acho que Cabocla tinha um conteúdo interessantíssimo. As questões discutidas naquele microuniverso eram importantes e atuais. Além disso, tinha romance e política. Enfim, eu era casada com o Coronel Boanerges, personagem de Tony Ramos. Ele era um sujeito ultrapassado, porém mais leve e bem humorado que o Barão de Araruna, de Sinhá Moça. São épocas diferentes! As famílias são totalmente distintas. Isso sem falar que a minha família em Cabocla era alto-astral, o que não combina com o ambiente muitas vezes pesado da residência dos pais de Sinhá. Outro fato que marca essa diferença está na relação entre a Emerenciana e o Coronel Boanerges, que mantinham um casamento moderno para a época. Eles dividiam uma igualdade no seio familiar. Eram papéis quase equivalentes. Em Sinhá Moça, o período histórico em que se insere a trama retrata uma época em que as mulheres tinham uma angústia em se colocar à frente de seus maridos. Exatamente por isso, a Dona Cândida é uma personagem mais angustiada do que a Emerenciana. Essa relação com o Barão é mais difícil e mais áspera.

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Chico Ferreira

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