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11.09.2008 | 03h00

As doenças que matam lentamente

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As doenças crônicas como diabetes, reumatismo, problemas de coluna e até doenças cardiovasculares, por evoluírem de maneira lenta, muitas vezes não têm a devida atenção dos pacientes. Isso porque não matam em um curto tempo. Mas matam após um longo período de sofrimento dependendo do caso. Todas elas representam risco e podem ser prevenidas, tratadas ou controladas. Mas tudo depende da forma como cada paciente encara o problema. E ainda: se estão dispostos a se tratar.

O número de mortes nesses casos é preocupante. As doenças crônicas provocam a maior quantidade de mortes atualmente no mundo. Algo em torno de 60% de todas as causas. O mais delicado é que há uma tendência de a situação piorar seriamente. Em 2020, estima-se que esse percentual chegue a 73%.

Nos países ricos, essas doenças são mais preocupantes. Afinal, todas elas estão relacionadas com a idade avançada e a ingestão de alimentos com grandes quantidades de açúcar, gordura e sal. A idade avançada e justamente esses alimentos são características peculiares desses países. Mas o Brasil pode estar no mesmo caminho. Pelo menos é o que mostram alguns levantamentos. De acordo com eles, as nações em desenvolvimento, como o Brasil, estão ficando cada vez mais parecidas economicamente com os países afortunados. E, nesses países em desenvolvimento, tem se notado o aumento vertiginoso do número de portadores de doenças crônicas. O fato pode ser embasado em dois pilares. O primeiro é que, com mais dinheiro, as pessoas começam a usar alimentos que ajudam a provocar essas doenças crônicas. O segundo: com investimentos em saneamento básico, a expectativa de vida das pessoas aumenta.

No Brasil, mais de 30% das pessoas sofrem de doenças crônicas. Desse total, quase 20% têm pelo menos três diferentes doenças. Esses dados são da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), que é realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A pesquisa mencionada mostrou, ainda, que a incidência dessas doenças em terras brasileiras é maior em mulheres do que em homens. Entre a população feminina, mais de 30% estão nessas condições. O percentual é menor entre o sexo masculino. Entre os homens, esse percentual é pouco superior a 25%.

Há ainda outro problema das doenças crônicas. Elas não atingem só os pacientes. Mas, também, o bolso do governo. Há sérias perdas aos cofres públicos. Isso porque elas representam aproximadamente 40% dos motivos que levam as pessoas a ficarem internadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para atender pacientes nessas situações, o SUS gasta anualmente mais de R$ 7,5 milhões. E, ainda, é freqüente que essas pessoas se aposentem em idade precoce, faltem muito ao trabalho e tenham uma produtividade menor. Tudo isso potencializa o prejuízo do governo.

Os dados mostram que tanto o governo quando a iniciativa privada e as pessoas individualmente devem investir de forma mais incisiva na prevenção das doenças crônicas. Se assim não for, a conta para o tratamento dessas doenças pode extrapolar o limite do orçamento de todos. Os países desenvolvidos estão tomando a medida correta nessa corrida. Atentos ao problema tentam modificar esse cenário preocupante. Com o avanço econômico, a torcida é para que o Brasil também consiga investir na prevenção desses males à saúde que lentamente estão matando milhares de pessoas e são prejudiciais aos cofres públicos.

Arlindo Aburad é dentista, doutor em Patologia Bucal pela USP e presidente da Comissão de Ensino e Pesquisa do Hospital do Câncer de Mato Grosso - e-mail: arlindoaburad@uol.com.br

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