01.07.2003 | 03h00
Alguns dos maiores talentos da pintura brasileira farão parte da 7ª Exposição de Artes Plásticas que será aberta hoje, às 20 horas, na loja Rudnick Mega Store City Design. A mostra, que reúne 26 artistas, contará com uma individual do pintor sul-mato-grossense Ary Corrêa Junior, e a participação de destaques no circuito internacional de arte, como Romero Britto, Fukuda e Carlos Araújo, entre outros.
Organizada pela Art Galeria Mara Dolzan, a marchand Márcia Pacher e o colunista Fernando Baracat, a coletiva é uma boa oportunidade para conferir a qualidade, contemporaneidade e tendências das artes plásticas produzidas hoje no país. Entre os representantes de Mato Grosso a variação de estilos, técnicas e temáticas é grande. Participam Adir Sodré, Victor Hugo, Rita Duarte, Lara, Claudyo Casares, Marcelo Velasco, Deuseni Félix, Vicente Paulo, Geracy Bianchini e Rafael Rueda. Eles figuram ao lado de Catinari, Gilberto Salvador, Gilce Velasco, Paulino Lazur, Antonio Petikov e Ana Karla Zahran.
Entre os destaques internacionais, vale ressaltar Odamar Versolatto, pintor brasileiro de origem italiana que se mostra adepto do "antropofagismo" cultural. Considerado um dos maiores contemporâneos brasileiros, apresenta em suas telas as figuras do imaginário brasileiro em meio a muitas cores. Outro que usa e abusa das cores em seus abstracionismos é Fukuda. Considerado um mestre em contrastá-las, mostra lirismo moderno ao aliar elementos próprios da atualidade.
O paulista Cláudio Tozzi destacou-se pela ousadia e contemporaneidade, ainda nos anos 60. Quarenta anos depois continua a inquietar e propor desafios estimulantes. Formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela USP, onde atualmente leciona e já participou de oito bienais nacionais e internacionais.
O português Poteiro é um dos maiores primitivos do Brasil. Ele vê o que está acontecendo, toma partido, não recebe passivamente tudo o que lê. É debochado, sacana e produz sem qualquer repressão, tornando-se cada vez mais criativo e ousado. Residindo atualmente em Goiânia (GO), teve suas obras elogiadas por críticos como Walter Zanini, Jacob Klintowitz, Frederico Morais.
Outro grande nome da pintura brasileira presente é o cearense de Ingazeiras Aldemir Martins. De monitor de desenho no colégio militar a artista plástico renomado, foram muitos anos, prêmios e muito trabalho. Foi responsável pela renovação do ambiente artístico cearense e em 1956 conquistou o Prêmio Internacional de Desenho da Bienal de Veneza. Martins participou de mais de 150 exposições coletivas e individuais no Brasil e no exterior.
Carla Amaral é um dos grandes nomes da geração de artistas que surgiu nos anos 80. Em mostras individuais e coletivas, no Brasil e no exterior, chamou a atenção dos críticos por seu estilo próprio e "inclassificável", como ela mesma define. Já Carlos Araújo é bem anterior. Autodidata, iniciou seus trabalhos em 1963 e só expôs dez anos depois, no Museu de Arte Moderna de São Paulo. A partir daí, não parou mais de crescer. Hoje pode-se encontrar suas obras nas melhores galerias de arte e museus do mundo. Para esta exposição envia trabalhos em técnica mista feitos em madeira naval.
O artista plástico de maior penetração internacional da lista hoje é Romero Britto. Suas telas são sempre muito alegres e coloridas e, por conta disso, estão em casas de dezenas de celebridades, como Arnold Schwarzenegger, Madonna, Bill Clinton e até a filha de Picasso, Paloma. Seu traço sempre muito característico conquistou o mundo e agora aparece em uma série de produtos, como roupas, embalagens, utensílios domésticos. Segundo ele, esta é uma forma de fazer com que todos tenham sua arte. Seus trabalhos chegaram a ser comparados a pop arte de Andy Warhol.
Simultaneamente à coletiva acontecerá a exposição individual do artista sul-mato-grossense Ary Corrêa Jr. Observadora de seu trabalho há 20 anos, Mara Dolzan, proprietária da Art Galeria Mara Dolzan, descreve o pintor como alguém muito disciplinado e centrado em sua arte. Incentivado pela galeria, mostrou que tem potencial e não parou mais de evoluir. Seu trabalho, sempre contemporâneo, chegou a chocar, lembra ela.
O curador e crítico de Arte Carlos von Schmidt de São Paulo (SP), considera que hoje "a pintura de Corrêa Jr. fala da natureza e de seus elementos. Do fogo, da terra calcinada, da destruição pós-queimada, da erosão. Ao mesmo tempo em que capta a destruição olha para o que escapou: bananeiras, cacaueiros e cervos. Nas frutas, na fragilidade do animal, encontra estímulos que se transfiguram em imagens que ultrapassam seus próprios significados".
Com 41 anos, começou a produzir com dez anos. Fazia desenho, aulas de pintura e cursou Zootecnia em Uberaba (MG), mas logo voltou à pintura. Há cinco anos começou a trilhar um caminho próprio, desenvolvendo seu estilo. São pinturas bem pessoais, falam de queimadas, decomposição (peixe morto), mas sem deixar as cores de lado. Suas abstrações mostram a destruição que viu ao longo desses anos, principalmente no Pantanal. A individual apresenta 15 telas, todas elas produzidas de um ano para cá.
A 7ª Exposição de Artes Plásticas vai até o dia 5 de julho.
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