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30.06.2003 | 03h00

Oswaldinho une o blues e o forró

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O instrumentista Oswaldinho do Acordeon mostrou, no sábado, no 19º Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães, porque é um dos mais conceituados e respeitados músicos brasileiros da atualidade. Colocou o público para dançar e cantar com um desfile de baiões e forrós clássicos que ganharam novas roupagens, além de alguns de seu repertório. Oswaldinho lançou, em Mato Grosso, seus dois últimos discos, calcados na fusão de blues e jazz com os ritmos nordestinos. A noite contou ainda com os shows da Banda Terra e do Trio Espora de Prata.

Quem tratou de abrir a noite forrozeira do sanfoneiro foi a Banda Terra, com um desfile de canções que foram da MPB a axé, passando pelo sertanejo e o rock. O vocalista Edmilson Maciel, em meio a fogos de artifício, abriu dando a impressão de que iria basear o repertório em canções de gente como Zé Ramalho. O vocalista, em seguida, tratou de avisar que o grupo está se firmando como banda de baile e, sendo assim, qualquer estilo musical poderia marcar a apresentação. E foi o que aconteceu. Eles revisitaram gravações de Titãs, Chiclete com Banana, Nenhum de Nós, Araketu, Ivete Sangalo. Não faltaram ainda o sertanejo e o rasqueado.

O conceituado sanfoneiro Oswaldinho do Acordeon, num ponto, não abre concessões: a brasilidade. Ela está expressa nos ritmos nordestinos, que se tornam world music quando se misturam a outras manifestações como o blues, o jazz e o reggae. Seu dois últimos discos, Um Bom Forró e Asa Branca Blues (Kuarup Discos), mostram esse trabalho em sua plena força. Se dizendo muito feliz por poder voltar a Mato Grosso depois de muitos anos, Oswaldinho revelou que o show apresentado em Chapada é o mesmo que leva para o mundo já há muitos anos. Canções como "Baião" (Luiz Gonzaga), "Que Nem Jiló" e "Asa Branca" (de Luiz Gonzaga) ganharam novas leituras. "Influência do jazz e do blues dentro do forró", define.

A grande quantidade de casais dançando ao som do forró de Oswaldinho mostrou que o ritmo nordestino se espalhou pelo país de forma marcante. O que ele vê com bons olhos. "Só espero que não vire moda. Porque forró nunca será moda. É cultura, é raiz, a cultura de um povo, principalmente do povo do nordeste", frisou. "Vejo com bom olhos porque é a juventude que aderiu ao forró, e isso me gratifica muito. Era o sonho do meu pai, que foi o primeiro homem a montar um forró em São Paulo, em 1965. É uma vitória muito grande para nós, sanfoneiros", completou.

Já o blues, o jazz e até o rock presentes no crossover capitaneado por ele, "são influências. Coisa de conservatório. Estudei 16 anos música clássica para conhecer meu instrumento. Sofri influência da beatlemania, dos rocks épicos. Então, sem perder minha originalidade, juntei o útil ao agradável, onde o meu forró não fica uma coisa muito usada. Música vive sempre em mutação, deve ser sempre renovada. Dá um sabor novo para os jovens e a minha sanfona deixa de ser um instrumento limitado para ser ilimitado".

A prova estava lá, para quem não acreditava que isso fosse possível juntar tão diferentes estilos. "Abertura", "Reggae Bom" e "Bom Forró", de Um Bom Forró, não são simplesmente canções brasileiras, são canções mundiais. O mesmo se pode dizer de outros números como "Asa Branca Blues", "Baião", Qui Nem Jiló" e "Ela", de Asa Branca Blues. Elas deram uma boa idéia da capacidade criativa e Oswaldinho e da habilidade musical de seus instrumentistas. Destaque também para a afinada vocalista Veridiana Nascimento. Oswaldinho também não poupou elogios ao amigo e parceiro que decidiu trabalhar em Cuiabá, Nininho Xapicruz.

O trio Espora de Prata teve a missão de fechar a noite com muito sertanejo e country, com direito a bailarinos e tudo mais. Parceiros da Rádio Gazeta FM na Promoção do Barulho, mostraram porque são sucesso. Ponto alto do show, a canção "Nunca Mais Solidão" é um dos hits do momento

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