04.08.2003 | 03h00
O desejo sexual é comprovadamente eterno. Poderíamos arriscar um palpite de que ele é o único sentimento que independe da idade. Para algumas pessoas é o elixir da vida. A vitalidade, a alegria de viver passam por manter a chama do desejo acesa. Na juventude a descoberta conduz os jovens a loucuras. Na maturidade, mais saboroso, é apreciado com refinamento, sem deixar de provocar os mesmos efeitos.
Se enganam aqueles que imaginam que o amor e o sexo se diluem com o tempo, com a idade, com a terceira idade. Só deixam de desejar aquelas pessoas para quem a experiência trouxe grandes frustrações e a vida matou a esperança do recomeço. O desestímulo, neste caso, nada tem a ver com a idade, mas com a conduta que se tem sobre a própria vida.
Romeu e Julieta, que na história de William Shakespeare encerram a paixão com a morte ainda jovens, em nada se assemelham aos personagens cuiabanos que revelam como é o amor, a paixão e o desejo quando se tem mais de 60 anos. Julieta (nome fictício) está com 66 anos, perdeu o marido aos 56 anos, passou um período envolta pelos próprios sentimentos até começar a descobrir que o parceiro havia morrido, mas a vida continuava para ela.
Julieta sentia na pele que ainda estava viva, apesar de a sociedade acreditar que o tempo de amar dessa senhora havia terminado. Felizmente ela frustrou grande parte das pessoas quando descobriu que poderia voltar a amar. O primeiro parceiro após o marido não era da cidade, os encontros eram esporádicos e difíceis e com o tempo a expectativa de um novo amor naufragou. Depois de um longo período sozinha, já deprimida pela solidão e com a expectativa de que para ela só restava esperar a morte, encontrou o seu Romeu (nome fictício), 13 anos mais jovem, viúvo e com disposição para encarar um relacionamento maduro.
"Eu estava em uma reunião com amigas quando nossos olhares se encontraram. Ele estava sentando distante do grupo, tímido, aí eu fui até lá e perguntei se ele não dançava, ele disse que sim. Quando começou a música o convidei. Dançamos. No final marcamos um encontro e desde então estamos juntos. Faz oito meses", conta um tanto encabulada. A princípio os filhos de Romeu foram um empecilho, achando que não ia dar certo. Mas ele, com ar mineiro, traçou o próprio destino.
A rotina conjugal não é diferente da grande maioria dos jovens casais. Gostam de festa, têm conexão na dança, circulam de mãos dadas, dão beijos tímidos em público e como amantes fazem sexo pelo menos uma vez por semana. "Por ele seria mais, mas não dou conta", diz ela. "Se ela quisesse, tudo bem, mas não é apenas isso que me mantém ao lado dela", acrescenta ele.
Diferente do que muitas pessoas possam acreditar, o romance na maturidade é bem mais comum do que se imagina, pelo menos para aquelas pessoas que ainda estão vivas por dentro. Que o diga Cleto, de 60 anos, um paraibano fogoso que namora com Valquíria, 62 anos, há seis meses. Viúva há 15 anos ela descobriu aos 62 anos a paixão acrescida de desejo e prazer sexual. "Com meu marido era obrigação, meu casamento foi para satisfazer os meus pais", fala. Muito comunicativa e segura de suas necessidade e vontades, Valquíria conta que resistiu por alguns dias às investidas do galanteador Cleto.
No primeiro encontro ele foi direto e revelou suas intenções. "Falei que queria namorar com ela", diz. Ela, cuidadosa, quis ver quais eram as reais pretensões. No decorrer entre a paquera até a consumação do namoro, o máximo que ele conseguiu foi um beijo no rosto.Em compensação, hoje, quando os dois estão juntos, "sai faísca".
Namoram dia sim, dia não. Isso porque ele trabalha em dias alternados. No relacionamento sexual quase tudo é permitido e o exercício sexual só se esgota quando as forças se esvaem. E segundo relataram, elas demoram a acabar. "Ele é por demais fogoso", diz ela. "O ritmo dela é melhor que de qualquer adolescente", relata ele. Se tivessem 18 anos ele seria considerado um "galinha", enquanto aos 60, se considera um garanhão. Para ela, o termo é o mesmo. "Exijo respeito. Não é questão de ciúme. Se não quiser assim me deixa, vou sofrer um pouco e voltar a ativa", afirma.
Mas nem todas as mulheres estão tão completas como Valquíria. Laura, 74 anos, é uma mulher em busca de um amor. Separada há mais de 30 anos, teve alguns namoros pelo caminho, mas nada sério. "Eu não sinto a idade que tenho. As pessoas olham para mim vêem as rugas no meu rosto e acreditam que eu envelheci também por dentro", relata. Laura teve uma vivência sexual bastante positiva, o que talvez tenha resultado em um desejo latente. "Quero um companheiro que combine afetivamente comigo", relata.
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