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03.06.2018 | 11h28

Cinema nacional exclui mulheres negras, diz estudo da Ancine

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Não é só no elenco de "Segundo Sol", da Globo, novela ambientada na Bahia, que o público sente falta da representatividade dos afrodescententes.

Reprodução

Nomes como o de Taís Araújo, que já fez mais de dez filmes, são raridades nos elencos das produções nacionais nos cinemas

A Agência Nacional do Cinema (ANCINE) acaba de publicar o estudo “Informe Diversidade de Gênero e Raça nos Lançamentos Brasileiros de 2016”, documento produzido pela Coordenação de Monitoramento de Cinema, Vídeo Doméstico e Vídeo por Demanda, da Superintendência de Análise de Mercado (SAM), que pela primeira vez faz um recorte de raça em seus estudos.

A ideia do estudo é mostrar a participação pessoas negras e mulheres em geral no cinema brasileiro, avaliando o cenário de desigualdades na indústria cinematográfica.

Segundo o levantamento, entre os longametragens brasileiros lançados em 2016, a grande maioria foi dirigida por pessoas brancas, alcançando 97,2% do total. As mulheres comandaram 19,7% dos filmes e os homens negros apenas 2,1%. Nenhum filme em 2016 foi dirigido ou roteirizado por uma mulher negra.

Na análise de gênero por tipo de obra, verificou-se que as mulheres têm presença maior no comando dos documentários. Elas assinaram 29,5% destes filmes, enquanto nas obras de ficção, representam apenas 15,5% do total.

A análise apontou o domínio de homens brancos não apenas na direção, mas nas principais funções de liderança no cinema, o que evidencia que as histórias exibidas nas telas do país, produzidas por brasileiros, têm sido contadas majoritariamente do ponto de vista dos homens: 68% deles assinam o roteiro dos filmes de ficção, 63,6% dos documentários, e 100% das animações brasileiras de 2016. Os homens dominam também as funções de direção de fotografia (85,2%) e direção de arte (59,2%).

As posições só se invertem nas funções de produção. Assinam a produção executiva 36,9% de mulheres brancas, contra 26,2% de homens brancos. As equipes mistas, com homens e mulheres brancas, somam 26,2%. Os homens negros assumem 2,1% da função de produção. Sozinhas, as mulheres negras não assinam nenhuma produção. Apenas 1% de mulheres brancas e negras respondem à função em equipes mistas.

Na análise do elenco, foram considerados todos os atores cujo nome estava indicado no cartaz do filme, tanto em destaque quanto nos créditos gerais. No universo de 802 ocorrências, foram analisados o gênero e a raça de cada artista atuando nos 97 filmes de ficção de 2016. As atrizes correspondem a apenas 40% do elenco geral, enquanto 59,8% deles são atores.

Quando se trata de mulheres negras, a presença é muito menor, chegando a apenas 5% dos profissionais nessa função. O total de pessoas negras representa 13,3% do elenco geral, em contraponto aos 54% que representam na população brasileira. Em 42,2% dos filmes, não foi identificado nenhum ator ou atriz negros no elenco analisado. Em 33% deles o elenco tinha no máximo 10% dos artistas pertencentes a essa raça. Apenas três filmes tiveram mais de 60% do elenco negro, representando 2,1% das ficções.

Nomes como o de Taís Araújo, que já fez mais de dez filmes, são raridades nos elencos das produções nacionais nos cinemas.

O universo da pesquisa da Ancine consiste na análise dos 142 longas-metragens brasileiros lançados comercialmente em salas de exibição no ano de 2016, segundo dados do SADIS – Sistema de Acompanhamento da Distribuição em Salas de Exibição. Dos filmes analisados, 97 são obras de ficção, 44, documentários e uma animação.

Em cada filme foram analisadas as funções de Direção, Roteiro, Produção Executiva, Elenco, Direção de Fotografia e Direção de Arte. Nas quatro primeiras funções, foram classificados gênero e raça dos integrantes das equipes. Já nas duas últimas, foi classificado apenas o gênero. No total, foram analisadas 1.326 pessoas envolvidas no cinema brasileiro de 2016. 

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