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22.10.2017 | 11h12

O deus do trovão está de volta

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A Marvel passa por um momento curioso em suas produções, um momento que claramente se vê o esgotamento de uma fórmula, que marca os filmes do estúdio desde o lançamento de Guardiões da Galáxia. Se o filme e a continuação de James Gunn funcionaram justamente como um grande respiro àquilo que aparentava uma formula já cansada e o ápice de um estilo mais leve que abraçava a comédia, respectivamente, agora esse ponto parece já carecer de alguma mudança, de alguma exceção. Isso fica evidente no filme de um núcleo que parece ser o ponto frágil do universo ficcional, as histórias protagonizadas por Thor.

Claramente Thor: Ragnarok, após dois filmes bastante questionáveis, toma tudo e mais um pouco dessa nova fórmula que abastece a mais recente safra dos filmes do estúdio. O terceiro longa do deus do trovão é de longe o seu melhor solo, mas evidencia ainda mais a incongruência do personagem nesse universo, mostrando que a cada filme uma nova alternativa surge para tentar uma salvação de suas narrativas.

Thor: Ragnarok abraça a comédia de vez e realmente isso tem duas consequências, a primeira é um filme muito mais envolvente, que diverte, que realmente faz rir em muitos momentos e que consegue manter algo próximo a uma unidade. Todavia, há claramente também uma mudança típica ao que dizia respeito às pretensões dos filmes do Thor, algo que nunca foi realmente levado a cabo com sucesso pela Marvel. Esse mundo muito mais próximo ao fantástico, que tentava ser desenvolvida com seriedade e realismo é praticamente abandonado. Sim, o universo Marvel desde muito antes conecta o mundo de Thor as mais diferentes galáxias e planetas, todavia, aqui, o que se vê é um filme que incorpora praticamente todos os elementos visuais e narrativos das particularidades dos Guardiões da Galáxia.

Ainda existe um núcleo bem representativo em Asgaard que vive a ameaça de Hela (Cate Blanchett), uma filha renegada de Odin que almeja retornar seus tempos de conquistas intergalácticas. No entanto, a maior parte do tempo Thor: Ragnarok se passa em outro planeta, uma espécie de lixão comandando por um governante louco que gosta de possuir seus escravos em grandes arenas de batalha. Thor torna-se um deles e é obrigado a lutar em suas arenas, encontrando até mesmo seu companheiro de Vingadores, Hulk.

A ida para esse outro planeta é a deixa para o mundo de Thor incorporar completamente o estilo de outro filme da Marvel. Se as obras posteriores ao filme de James Gunn começaram a usar um humor de forma mais aberta, mais auto irônico e etc, aqui há um filme que se constrói a partir de um molde baseado em outra obra. Até mesmo o visual de Thor: Ragnarok é emprestado de James Gunn, o colorido oitentista toma conta do filme do herói nórdico, sem ter nenhuma grande explicação como existe na história de Star-Lord. Até mesmo os letreiros e a música remetem a esse tempo, mas nada disso condiz com a narrativa.

Evidentemente é tudo bem feito, tecnicamente impecável, mas as coisas só parecem estar ali por uma mera experiência que já deu certo, sem investir conscientemente em opções estéticas que traduzem o mundo daquele personagem específico. Assim, Thor: Ragnarok é um filme de inconsistência, que os pontos que parecem dar certo, já foram visto no mesmo modelo muito recentemente há pouco tempo. Portanto, ainda quando o filme está sendo projetado já se percebe um cansaço em relação àquela narrativa e suas estratégias.

Uma dessas inconsistências está no roteiro de Eric Pearson, Craig Kyle e Cristopher Yost, que criam em Thor: Ragnarok uma narrativa que se estende, que teima em dar voltas, quando poderia ser muito mais concisa. A sensação que fica é realmente que o universo do Thor precisa ser colocado uma série de elementos para parecer mais interessante e complexo. Nas idas e vindas do roteiro, o longa vem para terra, volta para Asgaard, chega naquele outro planeta até ficar se dividindo com a terra de Odin, algo que sempre parece dividir a atenção da trama. Como também as participações de outros personagens do universo Marvel, que surgem apenas como um afago aos fãs do mega universo do estúdio. Ou ainda a série de explicações que alguns personagens precisam fazer para que a história seja entendida, revelando o passado de Hela, por exemplo.

Thor: Ragnarok é um filme de tantas irregularidades que são nesses flahsbacks, algo que atrasa a narrativa completamente, que surge uma das ideias visuais mais interessantes do longa, onde é contada a história das Valquírias de Asgaard numa espécie de pinturas em movimentos. Algo com um visual extremamente elaborado e cheio de nuances, que contam uma história por si só. O longa vive, dessa maneira, momentos de lampejos realmente, que fazem o espectador se divertir com o filme, para logo em seguida ficar propício a um cansaço.

Dirigido por Taika Waititi, do engraçado O Que Fazemos Na Sombra, o diretor tenta empregar seu timing cômico ao filme, algo que realmente funciona em alguns momentos. Tem momentos que Thor: Ragnarok flerta com o besteirol, fazendo piadas um tanto quanto sujas, mas esse humor as vezes se deixa levar por uma comicidade a qualquer custo (típica do besteirol, diga-se de passagem). Algo que faz o deus do trovão tornar-se um comediante meio pastelão, até bolada na cara o herói toma. Waititi surpreende pelas sequências de ação bem filmada e realmente Thor: Ragnarok vale pelo primeiro encontro entre Thor e Hulk. Uma sequência muito bem desenhada, cômica no timing certo, dramática na dosagem certa, algo que realmente funciona em suas várias inversões, uma cena que pode surpreender o espectador algumas vezes, algo que já vale o ingresso.

Infelizmente, Thor: Ragnarok não é feito apenas de momentos como esse, mas marcado justamente por uma irregularidade. Formulaico até a raiz, o longa não consegue fazer de sua narrativa algo fresco, se por um lado os padrões estabelecidos por Guardiões da Galáxia ainda faz rir, já não possui o mesmo apelo, demonstrando um desgaste considerável. Um filme que cansa justamente quando se afasta de suas peculiaridades. Thor: Ragnarok tem ótimos momentos, mas o calcanhar de Aquiles da Marvel demonstra que uma renovação na fórmula cairia muito bem. 

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