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09.05.2019 | 09h18

Expedição Fartura volta a Mato Grosso

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Rita Comini

Equipe do Fartura - Comidas do Brasil, maior plataforma de gastronomia do país, esteve novamente em Mato Grosso neste início de maio para aprofundar as pesquisas gastronômicas sob o comando da curadora Luiza Fecarotta.

 

“A chef Ariani Malouf nos sugeriu conhecer elementos como o doce de mamão verde e rapadura, com frutas colhidas do quintal de uma senhora, um bolo de arroz feito ainda hoje com banha de porco, peixes pantaneiros e um requeijão feito em comunidade remota no fogão a lenha, com leite de vaca ordenhado no dia”, comenta.

 

Leandro Miranda

Furrundu

Furrundu, doce efeito de mamão verde ralada com rapadura


Além das indicações dos chefs, a produção faz um amplo trabalho de pesquisa e os roteiros são modificados à medida que a expedição coloca o pé na estrada. Os próprios produtores indicam novos locais, o que enriquece, ainda mais, o material.

 

Ao finalizar o trabalho em Mato Grosso, Luiza conta que de uma maneira geral todas as entrevistas e filmagens foram super produtivas. “A gente conseguiu cumprir nossa missão que é traçar o trajeto do campo ao prato. Sempre tentamos identificar alguns elementos de alguma receita, entender como são processados em suas origens e como ele resulta no prato”, resume.

Ela cita como exemplo um prato preparado pelo chef Marcelo Cotrim que, segundo ela funcionou como um grande símbolo de várias marcas de Cuiabá e Mato Grosso. “Ele fez um pintado grelhado, uma farofinha com uma farinha de Poxoréu - aquela bem flocada, bem crocante - enriquecida com pixé que dá um pouquinho de doçura, e uma redução de furrundu com canjinjin. Olha quantos elementos a gente teve chance de identificar e assimilar em um só prato? Eu acho interessante porque são muitos elementos e ao mesmo tempo um não se sobrepõe ao outro, é uma combinação muito respeitosa desses ingredientes e preparos”.

 

Ela conta que desmembraram esse prato e foram até Milton Benedito de Lara conhecer como ele faz o pixé. “Nos deparamos com uma história muito interessante de uma família de roceiros que colhia o milho, socava no pilão para depois misturar com o amendoim canela e açúcar. Essa família se mudou para Cuiabá e ele passou a viver disso, dessas encomendas. Hoje, fornece para mais de 19 pontos, entre mercados, feiras, lojas de doces. Tem um humor especialíssimo e os gestos - a gente repara muito nos gestos que a cozinha brasileira envolve”.

 

Leandro Miranda/Divulgação

pintado grelhado

Pintado grelhado, mousseline de mandioca, farofa e redução de canjinjin com furrundu, do chef Marcelo Cotrim

Hoje, ele não tem mais como triturar tudo no pilão e passou a usar primeiro uma máquina de café de manivela e agora uma elétrica, ambas inventadas por ele. “Faz o pixé no quintal de casa, um lugar super simples e humano que diz muito também da cultura”, descreve.

 

Segundo ela, o Fartura tenta também captar esses personagens anônimos e mostrar quem são as pessoas que levam a comida ao nosso prato.

Para descobrir mais sobre o furrundu viajaram até São Pedro de Joselândia, distrito de Barão de Melgaço. Lá encontraram Dona Elza Maciel de Oliveira Batista, que colhe o mamão verde no quintal e prepara o doce numa panela, num fogão montado no chão batido.

 

Luiza se mostra encantada com o processo de preparo do doce. “Ela tem que lavar o mamão para tirar o amargor. Coloca dentro de um saco de pano e lava no tanque como se fosse roupa. É um processo trabalhoso, lento, que exige paciência, um tempo muito diferente do nosso urbano, que a gente se adaptou e acha natural. É uma forma da gente voltar a essas tradições e ao tempo da cozinha. A cozinha tem um tempo e a gente vê isso respeitado de uma maneira muito intensa nessas comunidades remotas”, constata.

No Paraná, onde a equipe se encontra agora, a chef Manu Buffara recomendou a criação de porcos mouros, uma produção de orgânicos na Mata Atlântica, e um projeto público no qual são instaladas caixas de abelha sem ferrão em praças e museus de Curitiba, para a obtenção de mel.

Leandro Miranda/Divulgação

requeijão

Requeijão feito no fogão a lenha com leite de vaca ordenhada no dia

Leandro Miranda/Divulgação

As Expedições Fartura já percorreram 75 mil km em todo o território nacional levantando as histórias, personagens, ingredientes e receitas. Foram mais de 250 cidades visitadas e cerca de 600 fontes entrevistadas. O conhecimento é transformado em conteúdo e disponibilizados no site e redes sociais (Facebook e Instagram), vídeos, livros, programas de rádio e em projetos customizados.

Também servem de base para a seleção de participantes dos Festivais Fartura, que acontecem em todas as regiões do Brasil.
Em 2019 os Festivais já passaram por Belém e Brasília e ainda vão acontecer em São Paulo e Tiradentes, no mês de agosto; Belo Horizonte, em setembro; Porto Alegre, em outubro; Fortaleza e Lisboa em novembro.

 

Até 2018, os festivais serviram 285 mil pratos, realizaram 2.700 atividades gastronômicas e 1.130 culturais; foram 4.700 profissionais de gastronomia envolvidos para servirem um público de mais de 770 mil pessoas.

Entre outros prêmios, o Fartura - Comidas do Brasil recebeu o second runner-up em Inovação em Turismo, da United Nation World Tourism Organization.

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