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19.11.2017 | 10h53

O limite do mercado da arte depois da marca de Leonardo de Da Vinci

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Depois da batida final do martelo na inacreditável venda do quadro Salvator Mundi, de Leonardo da Vinci, na noite de quarta-feira, 15, (US$ 450,3 milhões por uma pintura de qualidade discutível) foi difícil para o leiloeiro e os prováveis concorrentes voltar a atenção para os outros lotes. “O ar parecia ter sido sugado da sala depois daquilo”, disse Paul Gray, sócio da Richard Gray Gallery. “Foi difícil continuar.”

E, mesmo no dia seguinte, o mundo da arte continuou numa luta de corpo a corpo com o que parecia como uma nova paisagem, com as tradições de leilão elevadas e um teto subitamente sem limites. Essa venda iria forçar a alta de todo o mercado? O preço era único ou um sinal de mais coisas à frente? E será que as casas de leilões agora imitariam a estratégia de Christie’s, menos concentrada na experiência e na autenticação e mais na marca e no marketing?


Atração. O quadro de Da Vinci levanta a questão: quando virá o quadro bilionário? 

Além de tentar descobrir quem comprou o quadro, o mundo da arte também estava dissecando a própria guerra de lances. As ofertas, que começaram com seis compradores ricochetando em um grande ritmo durante quase 20 minutos, tiveram saltos de altas surpreendentes. Em vez de subir o preço em montantes modestos de milhões de dólares, a última oferta foi um lance épico: de US$ 370 milhões para US$ 400 milhões, estratégia agressiva que conquistou para o comprador a pintura e deixou incrédulos os espectadores.

“Não há nada que se compare a isso”, disse o negociador de longa data Robert Mnuchin, “e não há nada que se compare para avançar”. Em entrevistas na quinta-feira, 16, colecionadores, marchands e especialistas em leilões pareciam concordar que a venda do Leonardo foi provavelmente sui generis – a obra de arte alcançara um preço sem precedentes porque era uma peça sem precedentes.

Itens como Salvator Mundi – um óleo sobre painel com Cristo segurando uma esfera de cristal – não aparecem com frequência. “As pessoas continuam me perguntando: ‘Quando vamos ver a pintura bilionária?’”, disse Brett Gorvy, negociante de arte e ex-presidente mundial da Christie’s para obras do pós-guerra e arte contemporânea. “Não se trata da qualidade da pintura. Trata-se da última obra de um artista que estava em mãos privadas e que é uma lenda, uma peça de nossa civilização. Que outro artista pode haver? Que outras pinturas?”

Mas, acrescentam os especialistas, a venda da Christie’s também é um comprovante da força incessante do mercado de arte e reafirmou a que ponto esta tornou-se uma classe de ativos.

“Certamente, isso acaba com o limite pelo qual pode ser vendido um quadro”, disse o veterano marchand Bill Acquavella. “Você pode investir em uma série de coisas, sejam ações ou imóveis, mas agora também pode investir em arte.”

Ele acrescentou que os financistas que compram obras de arte hoje em dia “administram suas coleções de arte como gerenciariam suas carteiras de ações”. Muitos concordaram que a Christie’s manipulou habilmente o colossal Leonardo, com vídeos apresentados em campanha de marketing para a turnê mundial da casa de leilões – gerando filas de espectadores que queriam apenas ter um vislumbre da obra. “Eles fizeram um trabalho magnífico”, disse Gray.

Deveria um Leonardo da Vinci ser a pintura mais cara do mundo? “Sim, deveria”, disse Alex Rotter, copresidente para obras pós-guerra e arte contemporânea das Américas para a Christie’s, que representou o comprador vencedor pelo telefone. “Não entendi tal soma”, disse Philippe de Montebello, ex-diretor do Metropolitan Museum of Art. “Está além da minha compreensão.” 

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