14.07.2026 | 11h39
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No dia 15 de julho vamos comemorar o bicentenário da criação da Diocese de Cuiabá, desmembrada da arquidiocese do Rio de Janeiro em 1826, pelo Papa Leão XII, por meio da bula: Sollicita catholici Gregis Cura”, a qual elevou a Prelazia de Cuiabá à condição de Diocese. Em 1819, chega a Cuiabá o Frei Macerata para encontrar-se com o Bispo Prelado D. Luís de Castro Pereira, em cuja prelazia iria desenvolver o ministério sacerdotal.
Em 27 de maio de 1824, o Frei Macerata foi empossado no governo espiritual da imensa prelazia de Cuiabá. À frente da Prelazia de Cuiabá, o Frei Capuchinho Italiano, com seu zelo e generosidade apostólica, após anos de trabalho missionário junto aos indígenas Guatós no Pantanal, conquistou o carinho e admiração da população desta região do Centro-Oeste.
O prelado Frei José Maria de Macerata foi apresentado pelo povo, com anuência do imperador D. Pedro I, para o primeiro bispo diocesano de Cuiabá, mas a Câmara cassou sua indicação por ser estrangeiro. Por isso, nunca chegou a ser sagrado Bispo. O pedido para sua nomeação episcopal permaneceu durante anos aguardando a definição de Roma, em meio às incertezas políticas que marcaram os primeiros anos da independência do Brasil.
Além disso, cresceu o sentimento xenofóbico em relação à presença dos estrangeiros na administração do novo império. É bom recordar que a Igreja católica estava vivendo, nesse período, sob o regime do padroado. O clero católico era tratado pelo Estado como uma espécie de “funcionário público”.
Mesmo criada oficialmente em 1826, a Diocese permaneceu por vários anos sem um bispo efetivamente nomeado e empossado. Foi um período longo de vacância. Durante esse período, a administração da Diocese foi confiada ao sacerdote cuiabano Padre Antônio Tavares, o qual administrou a Diocese até a chegada de D. Antônio dos Reis, em 1833, foi nomeado e sagrado como o primeiro Bispo da Diocese de Cuiabá.
Ao celebrar o bicentenário da criação da Diocese de Cuiabá, devemos cultivar três olhares: UM OLHAR PARA O PASSADO: Este passado, consubstanciado na história, nos ensina a aprender o que houve de belo e maravilhoso, e a compreender, com inteligência e grandeza, as falhas e erros do passado. Pois, é esse passado que, em grande parte, explica o presente. Ao mergulhar no passado, defrontamo-nos, também, com personalidades admiráveis que prepararam os alicerces da arquidiocese que temos hoje.
Foram os abnegados missionários que vieram para estas longínquas terras, desfraldando a bandeira do evangelho, num entusiasmo santo do ardente apostolado. Por isso, não devem ser nunca esquecidos. Mergulhamos no passado para sermos iluminados por suas luzes e precavidos de seus defeitos. Assim afirmou Cícero: “A gratidão não só é a maior das virtudes. Mas é a mãe de todas as virtudes”. A eles e a elas, nossa viva e eterna gratidão! UM OLHAR PARA O PRESENTE.
A lembrança agradecida do passado nos impele a viver intensamente o presente com muita paixão missionária, iluminados pela fidelidade e ardor missionário dos antepassados. UM OLHAR PARA O FUTURO. É preciso olhar e abraçar com esperança o futuro, fazendo desta arquidiocese: a casa, a escola e a tenda da comunhão, participação e missão. Frei Macerata está sepultado na Cripta da Catedral de Cuiabá, juntamente com diversas autoridades civis e religiosas da história de Mato Grosso.
O futuro é cheio de incertezas. Ora, é diante das incertezas dos ingentes desafios que sobressai a esperança, fruto da fé no Senhor da história. A esperança não se funda em números, em obras e realizações pastorais, mas sobre “Aquele em que pusemos a confiança (2Tm 1,12) e para quem “nada é impossível” (Lc 1,37). É por isso, que a “esperança não decepciona” (Rm 5,5). Somos peregrinos da esperança.
Nossa alegria e motivação são ainda maiores por saber que estamos oferecendo ou entregando a maior riqueza para as mulheres e homens contemporâneos de hoje: Jesus Cristo, o Filho de Deus! Por isso, irmanados num só pensamento, sob o auspício do Senhor Bom Jesus, entoaremos o “Te Deum” de ação de graças dos corações exultantes, com a santa missa de ação de graças, dia 15 de julho, às 18:30, na Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus, pelas bênçãos, graças e benemerências divinas.
Padre Deusdédit Monge é administrador arquidiocesano da Arquidiocese de Cuiabá
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