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09.08.2020 | 09h40

A depressão pode ultrapassar doenças cardíacas em 2020

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Dulce Figueiredo

Divulgação

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) já identifica a depressão como a doença do século. Esse transtorno emocional afeta o humor e a emoção causando uma tristeza profunda, alterações repentinas de humor, ânimo e apetite, baixa autoestima, pensamentos pessimistas e comportamentos de autodepreciação ou até automutilação, além de outros sintomas.

 

Atualmente, o transtorno depressivo é a quarta doença mais popular, mas a tendência é que durante o ano de 2020 passará a ocupar o segundo lugar. Ainda de acordocom a OMS, a depressão só está atrás de doenças cardíacas. O preconceito que cerca a depressão é um dos maiores fatores de risco, porque por medo de represálias, a pessoa passa a esconder o que está sentindo. Pessoas com depressão tendem a ter uma visão piorada e distorcida das situações, por isso precisam de apoio e atenção.

 

Além dos fatores externos, como experiências traumáticas e a forma prática de lidar com situações adversas, a predisposição à depressão aumenta caso alguém da família já tenha desenvolvido o transtorno. Isso não quer dizer que, se seus antepassados tiveram quadros depressivos você decerto terá, mas sim que um acompanhamento psicológico antecipado pode ser uma forma de prevenção, já que você pode entender de onde vem seus pensamentos, sentimentos e sensações a ponto de transformá-los, antes que fujam de controle.

 

Pensamentos de morte são um dos sintomas mais graves de depressão. Muitas pessoas deprimidas querem morrer ou sentem que, por valerem pouco, merecem morrer. Aproximadamente 15% das pessoas deprimidas não tratadas terminam a sua vida se suicidando. Uma ameaça de suicídio é uma emergência, deve ser sempre ser levada a sério. Quando a pessoa ameaça se matar, é importante buscar ajuda imediatamente e é possível que o médico a interne para que ela possa ser supervisionada até o tratamento reduzir o risco de suicídio.

 

A família desempenha um importante papel no tratamento e no bem-estar dessas pessoas. Todos temos a necessidade de nos sentirmos de alguma forma especiais, queridos e amados pelas pessoas do nosso convívio, principalmente àquelas com quem crescemos e que fizeram parte do nosso desenvolvimento. Por isso, a compreensão da condição como sendo um transtorno sério e não uma simples indisposição, ou ainda, uma forma de chamar a atenção é de suma importância.

 

A falta de empatia dos familiares pode inclusive dificultar a compreensão da própria pessoa sobre seu quadro, quando ela própria passa a acreditar que está apenas melancólica já que é o que as pessoas que ela admira e confia afirmam, o que acaba causando ainda uma grande sensação de incompreensão, inadequação, solidão e de que não é possível receber ajuda.

 

Mas a boa notícia é que existe sim assistência e tratamento para a contenção, que dão oportunidades de uma vida plena e feliz ao paciente depressivo. Acredito no acompanhamento combinado, psicoterapia e uso de fármacos quando recomendado por um psiquiatra. A dedicação do paciente na frequência em seu tratamento psicoterápico e psiquiátrico determinarão a evolução do quadro chegando a uma recuperação completa. A participação das pessoas de seu convívio, no apoio ao tratamento psiquiátrico e incentivo na frequência à psicoterapia faz total diferença na recuperação.

 

Dulce Figueiredo, psicóloga clínica há 25 anos em exercício.

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