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31.05.2020 | 10h29

A dopamina que uma curtida dá

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Manoel Vicente de Barros

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Diz o primeiro passo do Narcóticos Anônimos: “Admitimos que éramos impotentes perante nossa adicção, que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis”.            

 

Se as redes sociais são uma nova forma da sociedade interagir, o que seria uma curtida? Um jóia? Um aplauso? Uma piscada? Uma reverência ou uma indireta? Tem significado ou é totalmente casual?            

 

Abrir mão de privacidade, fazer acrobacias, expor filhos, falar sem pensar, tirar trinta selfies e achar que nenhuma está boa o suficiente para ser compartilhada, compartilhar tudo isso porque?

 

Sean Parker, um dos fundadores do Facebook admitiu que eles exploraram uma vulnerabilidade na psicologia humana, cada curtida ou comentário te entrega uma microdose de Dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e satisfação. 

 

Da cafeína à cocaína, ela é a molécula chave das dependências.

 

Como o consumidor de uma substância viciante, você se pega compulsivamente abusando do feed e checa atualizações em busca daquele passageira e deliciosa dose de aprovação social.

 

Quem vive em torno disso ganha até um rótulo, o “biscoteiro”, que como numa experiência Pavloviana, existe pela busca do próximo agrado, do próximo afago, acreditando que recebe verdadeiro afeto. 

 

Já existe termo técnico para a dependência de Internet, a Nomofobia (adaptado do inglês “no mobile phone”), que deve ocupar lugar nas futuras classificações diagnósticas de saúde mental. Isso não é a toa, existe real impacto desse hábito no emocional.            

 

Da próxima vez que abrir seu aplicativo, se pergunte, porque estou fazendo isso? Está atrapalhando meu sono, aumentando minha ansiedade, piora minha auto estima? Quanto valor dou a essas interações? Quanto tempo invisto nisso? Que sentimento isso me agrega? 

 

Em toda adicção também existe o componente da pressão social, amigos oferecendo cigarro ou estimulando a consumir bebida, por exemplo, como você vai encarar uma dependência cuja base é a aprovação social em si?

 

Eu vou começar admitindo que às vezes passo da conta,  que é o primeiro passo. 

 

Solicito aos amigos que se me verem abusando, não curtam nem compartilhem, me façam ligações sem moderação e quando o isolamento acabar, tomamos um café para manter a Dopamina em dia.   

 

Manoel Vicente de Barros é médico psiquiatra em Cuiabá e atua no tratamento de Depressão e Ansiedade.

 

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Comentários

João Batista Ferreira joao - 01/06/2020

Excelente matéria que remete a uma reflexão profunda do nosso existir hoje..

1 comentários

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