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12.02.2020 | 09h59

A verdadeira face

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Sandra Amorim

Divulgação

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Hoje decidi mostrar a todos quem realmente sou. Costumo chegar sorrateiramente na vida das pessoas. E assim vou, literalmente, tomando todo o espaço. Se deixar, ou melhor, se bobear tomo até as rédeas de tudo porque depois que me instalo nunca mais vou embora. Minha vinda é para sempre e desse lugar não saio mais. Como sou dissimulada faço uma confusão danada para enganar meu alvo. A pessoa até tenta seguir meus passos e pede ajuda a outras paradesvendar quem sou.

 

Mas sou muito, mas muito esperta e como um camaleão fêmea uso o artifício da camuflagem com nuances que me permitem exibir de diversas formas. E nessa toada de me esconder atrás de máscaras consigo passar um longo tempo escondida, alguns anos talvez, sem mostrar a minha verdadeira face.

 

Mesmo sem ainda saber ao certo quem sou, a minha presença incomoda e muito. Porém, nenhuma máscara dura para sempre e em algum momento acaba caindo.

 

E quando isso acontece, a essa altura fiz um bom estrago e como já estou instalada resolvo lutar para continuar tendo meu espaço. Vou começar a explicar o que faço, depois me apresento. 

 

Me apossei de algumas partes do corpo dessa pessoa e primeiramente fui direto para a pele. Aparência sempre incomoda, mesmo que muitas vezes mais aos outros do que à própria pessoa. 

 

Mas achei pouco, sempre quero mais. Daí chamei uma amiga. A SAF aceitou e logo partimos para o sistema circulatório. Depois segui para as articulações. A fibromialgia virou minha companheira nessa área. Gostamos de deixá-la com inchaços nos pés, mãos, pernas, braços e ombros e ainda com muita dor por alí! 

 

Já perceberam que não gosto de andar sozinha. Aquele ditado que diz ‘antes só do que mal acompanhada’ não cola comigo. Gosto de companhia, e má. 

 

Também já me instalei no pulmão. A minha companheira agora é a fibrose pulmonar. Uma falta de ar constante é sempre boa! Confesso que fiquei um pouco triste porque quando chegamos descobrimos que, depois de 33 anos, ela resolveu parar de fumar. Sacanagem! Mas tudo bem, pelo menos tem um ‘enfiseminha’ para nos fazer companhia.

 

Na minha ramificação pelo organismo passei ainda pelos ouvidos e deixei lá a Síndrome de Meniére. O nome é chique, né? Mas não se iludam. Essa faz uma devassa: tinidos, zumbidos, tontura, pressão e sensação de ouvidos tapados, além de um creque-creque que parece que ela está sempre comendo biscoitos crocantes! Tudo isso 24 horas por dia, todos os dias! 

É de enlouquecer qualquer um!

 

Só mais um pouquinho e já termino essa parte. Não poderia deixar de lado o meu querido glaucoma. Calma! Coloquei o ‘glauco’ do lado esquerdo porque já é o olho mais bichadinho. 

 

Das outras coisitas causadas por mim como pressão alta, diabetes, depressão, irritabilidade acima da média normal, perda de memória, etc.., não vou falar agora. Quem sabe em uma outra ocasião.

 

Mas quero dizer que a batalha aqui não é fácil. Essa pessoa na qual decidi fazer morada é durona, tem uma personalidade forte, é decidida. Chata, mesmo! E ela sabe disso! Mas ultimamente anda cambaleando, afinal são alguns anos de luta....vamos ver no que vai dá. Adoro vê-la cansada, fadigada e depressiva.

 

Mas ela é teimosa e decidiu estar rodeada de profissionais extremamente atenciosos, o que torna mais difícil minhas investidas contra ela. Eles não cansam de querer me colocar para ‘dormir’, ou seja, me deixar em remissão por algum tempo.

 

Observo, contudo, que algumas coisas a chateiam. Quando chega nos PAs da vida percebe que de atendentes a médicos, a maioria não tem noção de quem sou. Bom para mim, ruim para ela. Ainda fica chateada com a falta de políticas públicas efetivas que possam me diminuir.

 

Outra é ouvir das pessoas: ‘Nossa! Nem parece!’Não acreditam que fiz estragos internos e não aparentes. Mas bem feito para ela. Quem manda ter esse rostinho lindo e um sorriso largo! E só, porque fiz ela engordar 25 quilos! 

 

Bom, chegou a hora de me apresentar. Meu nome é Lúpus Erimatoso Sistêmico (LES), mas pode me chamar só de Lúpus. 

 

Sou conhecida como uma doença silenciosa. Sou crônica porque não tenho cura e rara porque escolho a dedo em quem vou fazer minha morada. Aqui no Brasil são 8,7 para cada 100 mil pessoas. Algumas vezes posso até ‘dormir’, mas sempre volto à ativa! 

 

*Decidi escrever este artigo na terceira pessoa para tentar explicar, de forma diferente, o que é Lúpus. A doença manifesta-se com intensidade e de maneira adversa em cada organismo. O Dia Mundial das Doenças Raras será lembrado no último dia de fevereiro, mas a labuta é diária!   

 

Sandra Pinheiro Amorim é jornalista em Cuiabá.

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