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20.09.2019 | 11h27

Alimentação tradicional na aldeia - 1

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Elias Januário

Divulgação

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Diante das mudanças que têm ocorrido em função da modernidade e do avanço tecnológico, vamos refletir em dois textos acerca de um assunto que está sendo recorrente nas comunidades tradicionais, em particular nas indígenas, que se trata da manutenção do uso do alimento tradicional que, em algumas etnias tem enfraquecido e está sendo desvalorizado pelas novas gerações em função da entrada de alimentos industrializados nas aldeias.

 

Vamos mostrar o resultado de estudos feitos com a participação dos indígenas onde as novas gerações estão deixando de fazer uso dos alimentos tradicionais. O objetivo é vislumbrar a realidade atual de modo que os seus integrantes possam fortalecer o conhecimento tradicional sobre o uso do alimento. As informações são dos índios da etnia Tapirapé, que vivem na aldeia Tapiitãwa, com uma população estimada em mais de mil pessoas, entre crianças e adultos, localizada no município de Confresa, região do Araguaia, Estado de Mato Grosso.

 

O ponto de partida foi levantar e registrar o conhecimento tradicional sobre o uso dos alimentos, as regras e os tipos de alimentação que são consumidos atualmente, fazendo com que as pessoas que vivem neste contexto possam refletir sobre essa problemática. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas com pessoas que detém conhecimento sobre a prática do alimento tradicional na aldeia. Também foram realizadas atividades na sala de aula da escola indígena com alunos de ensino fundamental e ensino médio em forma de oficina com exercícios.

 

Entre os alimentos considerados tradicionais foram destacados os peixes, algumas espécies de caças, algumas espécies de aves, frutas nativas, plantação da roça, mel de abelha, uma espécie de cogumelo denominado Ywpa, a tartaruga, o jabuti e o tracajá. Todos esses alimentos citados sempre fizeram parte do cardápio tradicional consumido pelo povo dessa comunidade. Outro aspecto peculiar está no preparo dos alimentos, onde existem atividades que são específicas dos homens e outras das mulheres. Por exemplo: o homem pode cozinhar e assar as carnes da caça e do peixe quando se realiza uma caçada grande para fazer um ritual. Podem também assar peixes e carnes em grandes quantidades nas casas. No entanto, se for pouca coisa, só as mulheres podem preparar a comida. Nesse caso os homens só têm como atividade caçar, pescar, produzir as plantações na roça e coletar as frutas no campo.

 

Cada alimento tem uma forma particular de ser preparado. Os peixes, por exemplo, podem ser cozidos, assados, feito pirão, uma prática tradicional do povo Tapirapé. Outra forma de preparo consiste em pequenos pedaços de carne de peixe enrolados com as folhas de banana brava e assados. Dessa forma também é preparada a carne de caça, só que com a carne é diferente, corta a carne em partes pequenas e põe um pouco de farinha de puba e sal. É muito comum o consumo da carne na forma de pirão, cozida e assada. Em relação às aves, consomem também as carnes cozidas, assadas e também na forma de pirão. O povo Tapirapé ou Apyawã também se alimenta das frutas nativas como bacava, murici, mangaba, oiti entre outras.

 

Caro leitor, na próxima semana daremos continuidade a este assunto, falando dos alimentos consumidos que são produzidos nas roças e nas mudanças que estão ocorrendo na alimentação com a chegada dos produtos industrializados.

 

Elias Januário é antropólogo, historiador e educador.

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