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Cuiabá, Segunda-feira 02/03/2026

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02.03.2026 | 11h50

Amar profundamente…

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Roberta D'Albuquerque

Divulgação

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“Amar profundamente… mas testar volta e meia se ainda dá pé”. É da Ana Martins Marques o verso. Acho tão bonito. Hoje cedo lembrei dele. Tomei café na padaria, as mesas todas ocupadas. Só tinha um banquinho livre no balcão. Era meu e apertei o passo na disputa com um menino meio que chutei ser estudante de economia ou algum outro curso desses em que eles vão pouco a pouco adquirindo uma cara de daqui a pouco, visto um blazer e passo 20 minutos te falando de day trade.

 

Fui competente o suficiente para vê-lo ainda resmungante com a falta de lugar enquanto eu já tinha pedido o pão na chapa.

 

Do meu lado esquerdo, duas amigas conversavam sobre o relacionamento de uma delas. Em resumo, a situação estava no seguinte status: namoro de mais de um ano, tudo certo, se amavam, eram companheiros, cuidadosos um com o outro, havia aqui e ali um desentendimento, eles conversavam sobre, faziam as pazes, “mas, sei lá”… Sei lá por você ou por ele?, a amiga ouvinte queria saber. Eu pensava que era por mim, mas acho que é por ele, a outra já com o olho cheio de lágrima.

 

A investigação continuou. E achei a menina uma amiga tão querida. Ela quis saber o que tinha virado de uma semana para a outra para que as mesmas atitudes antes lidas como entrega a 100% fossem agora interpretadas como “sei lá”. “Amiga, ele não gosta mais tanto assim de mim, não sei nem te dizer como eu sei, mas tô sentindo isso, sabe?”.

 

Fiquei comovida. Daria pra gente chamar Mary Ainsworth para a sala e seguir daqui falando sobre o apego ansioso, mas fiquei pensando no basiquinho do estar em relação. Duas figuras se encontram em um ponto X da vida. Estão naquele dia pensando e vivendo de uma forma que nunca mais acontecerá. Porque hoje é hoje, amanhã é amanhã e de agora pra daqui a 10 segundos, nem eu nem tu somos a mesma pessoa mais. Aí resolvem mergulhar na doiderinha que é “estar com” enquanto mudam e mudam e mudam. A mudança de cada um e dessa terceira coisa que é os dois quando juntos opera o tempo todo. Relacionar-se é experimentar esta operação.

 

Isso que a moça da padaria sente é a própria mudança. Grandão que ela a tenha chamado de “não sei”. Porque a gente não sabe mesmo. Seria bonito se ela pudesse tomar esse não saber por curiosidade e não por sentença. Amar profundamente pode ser tão difícil, né? Boa semana, queridos.

 

Roberta D'Albuquerque é psicanalista, atende em seu consultório em São Paulo e escreve semanalmente no Gazeta Digital e em outros 17 jornais e revistas do Brasil, EUA e Canadá. E-mail: contato@robertadalbuquerque.com.br

 

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