25.09.2026 | 10h26
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No Brasil, segundo a lei, completar 60 anos significa entrar na faixa etária do idoso. Diversas vezes isso acarreta a sensação de entrar em um mundo de incapacidade e de dependência, que pode levar um indivíduo a ter dificuldades com sua saúde mental, especialmente se for uma pessoa focada quase inteiramente no trabalho. A chegada aos 60 anos e a aposentadoria, para muitos, podem soar como um "fim da linha" social.
Mas chegar a essa idade não significa perder a capacidade de decidir, de trabalhar ou de ter uma vida ativa. Uma das formas bem significativas para enfrentar esta situação é o desenvolvimento de algum tipo de arte, transformando o possível peso social em um período de autodescoberta, para continuar a ter uma vida cotidiana movimentada.
A prática artística propicia e resgata uma nova identidade, ao transformar o idoso em criador, bem como pode combater o isolamento social, ao se dedicar a algum tipo de atividade, como pintar, esculpir, tocar um instrumento ou escrever. Da mesma forma, frequentar oficinas de arte, equipes de teatro ou outras atividades em grupo permitem desenvolver um senso de pertencimento.
A sensação de criar algo novo propicia uma sensação de realização, fundamental para o bem-estar emocional. Torna-se uma forma de reinvenção e de valorização pessoal e a maneira de se reconectar consigo mesmo.
A arte possibilita uma forma de comunicação que conecta o idoso a novas perspectivas de vida, amplia a possibilidade de ressignificação do fator “idade” versus “capacidade” e rompe, assim, estereótipos que limitam sua autonomia e sua independência. A arte desenvolve a autoestima e a autoconfiança perdidas, porque os idosos encontram novas formas de existir e fugir dos rótulos predeterminados que a sociedade lhe impôs.
Cabe aqui citar o filósofo francês Michel Foucault, conhecido por questionar sistemas de exclusão criados pelo Ocidente no início da época Moderna: "Meu papel é mostrar às pessoas que elas são muito mais livres do que pensam ser, que elas têm por verdadeiros, por evidentes, alguns temas que foram fabricados num momento particular da história, e que essa suposta evidência possa ser criticada e destruída".
Cristina Seixas é escritora, jornalista, tradutora, estilista, mestre em Design pela PUC-Rio e autora de "Rabena Karib: jornada entre e o deserto e o mar", “Casa Canadá: a questão da cópia e da interpretação na produção de moda na década de 1950” e “Estética da moda, Styling & Produção
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