04.01.2018 | 00h00
Com os exageros de sempre as mídias estão gastando bytes e tinta para enaltecer as gerações atuais, atribuindo-lhes valores e qualidades nunca vistas entre os mais velhos. Parece que está nascendo um novo hominídeo hiperconectado, cuja diferença para os analfabetos digitais lembra a dessemelhança entre um de nós e nossos primos chimpanzés.
Sempre houve algum conflito entre pessoas de idades diferentes, ampliado agora com as novidades tecnológicas. A maior delas é a internet, que pegou os mais velhos com as "calças na mão". Essas transformações quase excluíram os Baby Boomers ( 1945/65) e anteriores do mundo moderno e exigiram algum esforço para adaptação dos Xs ( 1966/85). Os Ys e os Zs já nasceram com gadjets nas mãos e não vivem mais sem eles.
Entretanto não há o que reclamar, pois tamanha inovação tecnológica teria mesmo que desaguar em transformações comportamentais profundas.
Mas é bom saber que grandes modificações geram vantagens, mas também podem trazer problemas, como os dos Xs que estão acuados pelos filhos Ys ou Zs birrentos, inseguros e egoístas. Como ainda não aprenderam a lidar com eles, transferem para os iPads e smartphones a obrigação de os entreter e educar.
Os que estão deslumbrados com essa turma, tentando explicar seus comportamentos, criaram padrões como os de um horóscopo para classificar e justificar cada geração. Sugerem que os mais velhos, que sempre fizeram o contrapeso à natural impaciência da garotada, é que precisam se adaptar às novas gerações e nunca dosar-lhes os ímpetos.
Também as empresas que quiserem ter esses novos talentos como colaboradores serão obrigadas, invertendo a ordem natural, a se adaptar a eles. Ou seja, agora é o rabo que vai abanar o cachorro.
Afirmam ainda que os Ys e Zs terão uma vida muito mais balanceada e proveitosa não se preocupando muito em poupar, investir ou com a durabilidade das coisas. Trabalharão só no que lhes der prazer, misturando trabalho com jogos e diversão, como se houvesse ofertas inesgotáveis de empregos onde se pode ir de bermuda, a hora que quiser e ainda levar o gatinho de estimação. Só faltam dizer que a turma que antecedeu a geração X é composta de um bando de ultrapassados que só pensavam em criar empresas e ganhar dinheiro. Mas se esquecem que estes trabalharam, pouparam e ao contrário do que pensam os exaltadores da modernidade, foram, a seu modo, felizes e realizados. Acrescente-se que esse labor e essa poupança custearam a formação e talvez o ócio desses jovens.
Não sei se a maioria dos millenials (Ys) são como a mídia relata ou se são os adultos que lhes atribuem tais comportamento. Se eles realmente pensam assim, creio que um enorme campo se abrirá para os Ys e Xs que desejarem criar riquezas, gerar progresso e dar empregos, enquanto os seus contemporâneos curtem a vida sossegadamente.
Tendo acabado o abecedário para classificação das gerações, creio que é hora de retornarmos ao A, aproveitando o recomeço para recuperar, sem desprezar os ganhos atuais, alguns valores antigos, perdidos nas dobras do tempo.
Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor. E-mail: renato@hotelgranodara.com.br
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