05.10.2026 | 11h35
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Colunista
Minha palavra cruzada começou assim hoje. Vertical, 10 letras, estado das coisas. Cravei “conjuntura” e segui. Deu tudo errado. Apaguei um tanto de coisa, mas deixei a conjuntura lá. O negócio não desenganchava por nada. Resolvi recomeçar pelas horizontais, apaguei mesmo, cada letrinha e bora pra frente.
Agora, se a pergunta fosse: como tá teu mundo nos seus últimos dias? 10 letras, na vertical ou na horizontal, eu cravaria à caneta: tumultuado. Te conto. Na noite da segunda-feira, calor em São Paulo, delícia de comecinho de primavera, atendi online de casa. Fim da última sessão, desliguei já chamando Lalá e Sô pra jantar. Foi abrir a porta do quarto pra ver o primeiro e do primeiro pro quingentésimo cupim, não deu nem 5 minutos. A casa foi tomada por uma nuvem de bichos que batiam no nosso rosto, se emaranhavam nos cabelos, entravam pelas roupas, chocavam-se nas portas e paredes, espantavam gatos e humanos como quem diz “sai daqui que essa casa vai ser nossa”. Digo melhor, a casa já estava tomada (piso de taco, guarda-roupas, batentes de porta e rodapés), e sim, era deles. Saímos. Gatos e humanos.
Uma dedetização foi agendada pra terça. Isso depois de não sei quantos orçamentos porque é caríssimo e tem que fazer direito. Lalá e Sô dormiram na casa do pai. Eu e os gatos, no consultório. Podia até te contar que fizeram xixi no tapete e tal, mas quero passar pra outro assunto. Na quarta de manhã, eu tinha retorno na médica (online do meu consultório, gatos miando, tapete cheirando, aquela coisa). Ela abre a câmera com cara de preocupação. O colesterol tá 120. Eu sei, mas não era pra ser até 100? 10 pra lá, 10 pra cá, noves fora eu corto as frituras de imersão. Não, não, a sociedade americana de medicina do esporte disse que agora é pra ser 70. Vai pro remédio, corta a fritura de imersão e tem que fazer pelo menos 30 minutos de cárdio todo dia, pois pequenas placas de gordura na carótida. Disse que sim, obedeço, dei Google e quase tive um AVC em adianto por medo de AVC. Liguei pra minha melhor amiga já me despedindo. Ela me chamou de doida, disse que o dela é 170, me passou um monte de podcast, receita e conselho, desliguei melhor. No outro dia, botei a esteira no máximo de elevação e andei por 30 minutos na velocidade 6,5. Isso foi quinta e meu corpo segue doendo como se eu tivesse tido uma dengue. Bem, melhor dengue do que AVC, desligando aqui, vou de novo.
Sim, pandemônio. Estado das coisas = pandemônio. Na macro vida e na micro vida, pandemônio. Boa semana e boa sorte, queridos.
Roberta D'Albuquerque é psicanalista, atende em seu consultório em São Paulo e escreve semanalmente no Gazeta Digital e em outros 17 jornais e revistas do Brasil, EUA e Canadá. E-mail: contato@robertadalbuquerque.com.br
Coluna semanal atualizada às segundas-feiras
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