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07.11.2019 | 14h33

De olho na Bolívia

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Alfredo da Mota Menezes

Divulgação

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A eleição para presidentes na América do Sul que mais interessa a Mato Grosso é a da Bolívia. Com a Bolívia o estado tem 900 km de fronteira, com problemas antigos de tráficos, roubo de carros, violências diferentes.

 

No lado positivo se tem um gasoduto daquele país até Cuiabá e o estado estabeleceu recentemente um acordo direto para vinda de gás que pode servir a carros, fábricas, termoelétrica e até como gás de cozinha.

 

Existe ainda a perspectiva de se comprar naquele país toda sua produção de ureia que hoje MT compra de lugares distantes e também de matéria-prima para fertilizante. Pode ocorrer até mesmo comprar dos bolivianos energia de uma termelétrica que seria construída em San Matias.

 

O voo Santa Cruz-Cuiabá é uma questão de tempo, aumentando turismo e negócios com os países andinos. E ainda poderá levar gentes daqui para Miami e Europa dali de Santa Cruz. E, se o sonho permitir, um dia terá uma estrada asfaltada de MT aos Andes passando pela Bolívia. Muitos assuntos nos liga.

 

Naquele país a questão política está em ebulição, é melhor ficar de olho. A oposição a Evo Morales acredita que houve fraude na eleição de 20 de outubro passado.

 

Quando se fazia apuração por atas de votação estava assegurado um segundo turno. A apuração foi interrompida e no dia seguinte, com apuração em cédulas individuais, Evo teria mais de 10 pontos de vantagem sobre Carlos Mesa. Ganha a eleição quem tiver 50% mais um dos votos ou dez pontos de vantagem sobre o segundo. Carlos Mesa falou em fraude.

 

O grupo no poder concordou que técnicos da OEA fizessem uma recontagem. Os opositores do Evo não querem essa auditoria. No meio disso tudo apareceu um grupo em Santa Cruz que pede simplesmente a renúncia de Evo Morales. Não querem recontagem de votos e pedem que os técnicos da OEA deixem o país.

 

Tudo isso parece cansaço pelas seguidas manobras eleitorais feitas pelo grupo do Evo. Ele foi eleito em 2006 por quatro anos. Não podia ir à reeleição. Em 2009, convoca-se uma Assembleia Constituinte que permitiu a reeleição, agora por cinco anos. Daqui a pouco a Suprema Corte diz que ele poderia ser candidato outra vez porque, a partir da lei nova, se poderia ser eleito e reeleito.

 

Depois de três eleições, não podendo concorrer de novo, chama um plebiscito em 2016 para que o povo falasse se podia ou não. Perdeu o plebiscito. A Suprema Corte, mais uma vez, disse que ele podia ser candidato em 2019 porque lei universal de direitos humanos diz que a pessoa tem que ser livre e crescer na vida, nada pode impedir isso. Que essa lei universal é superior a Constituição do país.

 

Muita gente ali está na bronca com tudo isso, é a base do atual desconforto politico. Se empossado Evo ficaria 19 anos no poder. Teria um governo conturbado. Assunto que deve interessar a MT pelos muitos interesses entre os dois lados.

 

Alfredo da Mota Menezes. E-mail pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com

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