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06.07.2020 | 07h55

Dia de Holda

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Rosana Leite

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As bruxas sempre foram figuras a causar temor. As crianças são criadas e educadas a ouvir contos e crônicas relatando que são maléficas. Para as narrativas infantis, mocinhos e mocinhas são sempre maltratados pelas bruxas más. Quantas inverdades ainda serão relatadas, fazendo com que os descendentes cresçam cheios de preconceitos?

 

Não! De forma alguma, isso é a realidade. A fama inapropriada e errônea sobre essas mulheres ganhou força durante a Idade Média, entre os séculos XV e XVI. Como o poder da Igreja era imenso na época, ao perceberem que o antropocentrismo começa a ditar regras, o Tribunal da Inquisição efetivou a literal caça às bruxas. Aproximadamente 9 milhões de pessoas foram acusadas, julgadas e mortas, sendo que 80% eram mulheres, crianças e meninas conhecidas pelas bruxarias herdadas.

E o que essas bruxas faziam de prejudicial? Elas perpetravam rezas, chás com ervas medicinais, exerciam o papel de doulas da ocasião, cuidavam de doentes etc. Apenas faziam o bem! Todavia, foram acusadas de mentirosas, falsa médicas, e por aí afora...

 

Como as bruxas possuíam elevado conhecimento no emprego de plantas medicinais e atuavam como enfermeiras, ganharam elevado poder social. Esse domínio acabou por preocupar as igrejas católicas e protestantes, que sem o conhecimento do papel e representatividade dessas mulheres, temiam serem trocados pelos seus infinitos encantos, pois, na opinião deles poderiam ser ameaça ao cristianismo.

 

A bem da verdade, elas ganharam aperfeiçoamento em curar, sem nunca terem estudado. Passavam os conhecimentos para outras mulheres, e acabaram multiplicando. Elas surgiram, justamente, para amparar as camadas menos favorecidas, que não possuíam condições financeiras para procurar profissionais da medicina. Surgiriam de forma espontânea, como tábua de salvação para os menos favorecidos e favorecidas, sendo um alento para quem delas precisavam. Porém, aconteceu uma grande histeria em torno desse papel desempenhado, sendo criada a lenda de que tinham pacto com o demônio. Claro, naquela época o que a classe dominante plantava, ou se aceitava, ou sofriam-se duras consequências. Como elas se reuniam para trocar experiências sobre ervas, diziam que se congregavam para tramar maldades, por terem poderes mágicos, e que eram responsáveis pelas doenças e pragas, bem como, pelas catástrofes naturais.

 

Na época em que as bruxas surgiram e fizeram história, as mulheres não ocupavam os bancos escolares. Logo, os profissionais da medicina eram homens. A briga e as atrocidades praticadas contra essas mulheres, que desempenharam trabalho de santidade, foi um embate entre homens contra mulheres. Evidente que não havia qualquer chance de saírem vencedoras. Foram, em sua maioria, queimadas na fogueira para que não sobrasse qualquer resquício delas. Aquelas que confessavam o tal pacto eram mortas de modo menos dolorido, sendo enforcadas antes. As que continuassem sustentando a inocência, jogadas na fogueira.

 

Mulheres foram mortas em massa, acontecendo um genocídio delas. A explicação de tantos assassinatos é pelo fato de terem exercido um poder paralelo, o contra poder.

 

Trazendo para os dias atuais, e, agora, com o entendimento sobre o conceito do que é ser bruxa, algo de atual fica visível: discriminação à camada vulnerável, primordialmente ao gênero feminino. Quando os direitos humanos conseguem fazer às vezes, aqueles e aquelas que não concordam com a ascensão dessa camada, irão se revoltar, como sempre aconteceu.

Dia 10 de julho é celebrado o Dia de Holda, a senhora das bruxas, conforme a mitologia grega. É também representada por Ártemis. Comemoremos!

 

Rosana Leite é defensora pública em Mato Grosso.

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