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15.11.2019 | 08h32

Escolarização para crianças indígenas

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Elias Januário

Divulgação

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Trata-se de um assunto complexo a proposta de levar para as salas de aulas de educação escolar indígena, as crianças com idade abaixo de cinco anos, criando com isso a educação escolar infantil nas aldeias e fazendo com que as crianças desde muito cedo comecem a frequentar o espaço da escolarização. É importante entender que nas diferentes etnias presentes por todo o Brasil, as crianças índias passam por vários rituais e cuidados tradicionais, nesta fase até os 5 anos de idade. Esses rituais e conhecimentos aprendido nesta fase estão intimamente relacionados com a formação do indivíduo, que caso não aconteça, poderá trazer consequências irreversíveis na pessoa depois de adulta.

 

As preocupações de antropólogos e educadores que pesquisam e estudam essa temática reside no fato de que uma criança índia necessita brincar livremente pelo espaço da aldeia, conviver com os seus parentes, aprender as tradições observando e imitando o pai, a mãe ou os mais velhos. Grande parte dos etnoconhecimentos indígenas ainda se encontram na oralidade, ou seja, são transmitidos no fazer, na convivência e na troca entre seus familiares.

 

Pesquisas realizadas em diferentes etnias concluem que uma mãe passa horas fazendo uma pintura corporal em seu filho, que além de proporcionar, na concepção de alguns povos força e beleza, consiste num momento de afeto, de carinho entre mãe e filho, fundamentais na consolidação dos laços afetivos e na formação da identidade da pessoa. Entre os índios Tapirapé de Mato Grosso e os Maxakali de Minas Gerais, o momento da alimentação coletiva, com toda a família comendo junta na mesma vasilha, tem um significado estrutural para a formação do ser humano e consiste num dos momentos de grande importância para essa etnia.

 

Ao levar essa criança numa idade muito nova para a escola, pode-se correr o risco de afastá-las desses momentos com a família e proporcionar consequências que não estão sendo consideradas neste primeiro momento. A criança pode deixar de viver enquanto criança indígena, com liberdade de andar e experimentar os seus limites e as concepções cosmológicas de seu povo, se neste momento ela está numa sala de aula sendo escolarizada, aprendendo conhecimentos que muitas vezes nem são da sua cultura ou que não terão sentido para ela enquanto formação da sua identidade étnica e cultural e consolidação do ser para aquele povo. A antropóloga Clarice Cohn, uma das estudiosas do tema no país, alerta para cuidados que devem ser tomados nesse processo de inserção das crianças indígenas em salas de educação infantil nas aldeias.

 

A efetiva inserção do ensino escolar infantil nas escolas das aldeias, deve ainda ser pauta de muito estudo e discussão, devendo ser avaliado pelas comunidades indígenas todo esse processo que, na maioria das vezes, são estabelecidos como políticas públicas pelos órgãos governamentais, nas diferentes esferas de poder, sendo construídas escolas sem os devidos cuidados ou conhecimentos dos prováveis desdobramentos na formação da identidade da pessoa indígena.

 

A Constituição Federal deixa claro que o espaço de ensino da educação escolar indígena deve ser definido e mediado pelas comunidades indígenas. Mesmo assim, temos tido uma série de situações que merecem avaliação nos estabelecimentos escolares do ensino fundamental e médio nas aldeias.

 

Elias Januário é antropólogo, historiador e educador.

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