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08.05.2026 | 11h12

Gordura no fígado não é 'só do fígado'

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Max Wagner de Lima

Divulgação

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O problema pode estar muito mais ligado ao seu coração do que você imagina. Você provavelmente já ouviu falar em fígado gorduroso e talvez tenha pensado que isso é coisa de quem bebe ou que não deve ser algo tão importante assim. Mas a medicina moderna mudou completamente essa visão. Hoje sabemos que o chamado fígado gorduroso — tecnicamente conhecido como masld (doença hepática associada à disfunção metabólica) — não é apenas uma condição do fígado. É um dos sinais mais importantes de que o organismo inteiro está em desequilíbrio.

 

O que é, na prática?
Essa condição acontece quando o fígado começa a acumular gordura em excesso, mas isso não ocorre por acaso. Ela está diretamente ligada a fatores como ganho de peso, principalmente abdominal, resistência à insulina, alterações no colesterol e pressão elevada. Ou seja, não é uma doença isolada, é uma manifestação de um problema metabólico mais amplo.

 

Por que isso importa (e muito)
Hoje, essa condição já atinge cerca de um em cada três adultos no mundo. Na maioria dos casos, ela não causa sintomas no início, não dá sinais claros e passa completamente despercebida. Esse é o ponto mais perigoso. O grande erro é pensar que é só no fígado.

 

Aqui está o que poucos pacientes sabem e que muda tudo: a principal causa de morte em pessoas com essa condição não é um problema no fígado, é a doença cardiovascular. O que os estudos mostram é um maior risco de infarto, maior risco de avc, maior risco de insuficiência cardíaca e um aumento global de mortalidade. Em outras palavras, o fígado é apenas o sinal visível; o problema real está acontecendo no corpo inteiro.

 

O que está acontecendo dentro do seu corpo
O processo geralmente começa quando o organismo passa a ter dificuldade em lidar com açúcar através da resistência à insulina. A gordura começa a se acumular no abdômen e parte dessa gordura vai para o fígado. O fígado passa a funcionar de forma inadequada e o corpo entra em um estado inflamatório silencioso. Isso gera a piora do colesterol, inflamação dos vasos e aumento do risco de entupimento das artérias, causando um impacto direto no coração.

 

A doença não acontece de uma vez; existe uma progressão que vai da gordura no fígado na fase inicial para a inflamação, cicatrização (fibrose), cirrose e até câncer de fígado. Mas atenção: antes de chegar nesses estágios, o paciente pode já ter tido um infarto.

 

Como descobrir?
Na prática, muitos casos são descobertos em exames simples, como ultrassom abdominal e exames de sangue. Mas hoje sabemos que isso não é suficiente. Uma avaliação moderna precisa entender o metabolismo como um todo, o nível de inflamação e o risco cardiovascular associado. Não basta saber se tem gordura; é preciso entender o impacto disso no organismo.

 

Onde entra o cardiologista?
Esse é um ponto central e estratégico. Tradicionalmente, o fígado era visto como território de outra especialidade, mas hoje sabemos que essa é uma doença cardiometabólica. O cardiologista é o especialista em avaliar o risco cardiovascular, prevenir eventos graves e integrar múltiplos fatores como pressão, colesterol, glicose e estilo de vida. Um fato importante é que pacientes com essa condição têm até 30% mais risco de doença cardiovascular.

 

O tratamento não é sobre o fígado
Não existe um tratamento isolado para o fígado. O tratamento real envolve a redução de gordura corporal, melhora do metabolismo, ajuste alimentar, exercício físico estruturado e o controle de glicose, colesterol e pressão. É uma abordagem completa.

 

A verdade que muda tudo
Você não desenvolve essa condição de repente. Ela é o resultado de anos de hábitos, desorganização metabólica e uma rotina desestruturada. O mais importante é que ela pode ser revertida, principalmente nas fases iniciais.

 

Conclusão
Fígado gorduroso não é um detalhe; é um alerta, um dos mais importantes que o seu corpo pode dar. Se o seu corpo já está mostrando sinais de desequilíbrio, você vai esperar aparecer um sintoma ou vai agir antes? Na medicina moderna, não tratamos órgãos isolados. Tratamos o organismo como um sistema integrado. Isso significa entender o fígado, entender o metabolismo e, principalmente, proteger o coração. No fim, é isso que define sua longevidade.

 

Max Wagner de Lima é cardiologista | Luminae – Excelência em Saúde
Método ROTINA | Longevidade com estratégia

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