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08.11.2019 | 10h56

Menopausa sob ótica existencial

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Oscar D'Ambrosio

Divulgação

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Você, que é mulher, já sentiu que a vida não tem sentido algum, principalmente se chegou na faixa dos 40 anos, com a proximidade da menopausa e, muitas vezes, com uma existência afetiva e emocional bem distante daquilo que esperava? Pensou em largar tudo e recomeçar a vida, mas fica indecisa perante as âncoras que te prendem ao passado?

 

Veja então o filme “Pause”, da cipriota Tonia Mishiali. A protagonista Elpida (Esperança, em português), vivida com surpreendentes mudanças de tom dramático pela atriz Stella Fyrogeni, está na situação que ninguém gostaria de vivenciar. O marido mal a olha, a sua filha e neta moram distantes e parece haver poucas possibilidades daquela realidade se alterar. 

 

Uma escapatória são as aulas de pintura, nas quais Elpida não demonstra nenhum talento especial. Isso, porém, não a impede de viver um cotidiano em que começa a olhar para o mundo e a fantasiar situações com as pessoas ao seu redor, desde o bruto marido ao sexy pintor de paredes do prédio.   

 

Aquilo que é e o que gostaria de ser começam a se confundir de maneira progressiva na mente da protagonista. A liberdade só pode ocorrer com a saída de casa ou com a morte do companheiro opressor. E todos esses caminhos têm ônus e bônus, ações e reações. A cena final aponta para uma alternativa, mas também traz dúvidas. Nada é tão simples perante as consequências físicas e emocionais do envelhecimento para uma mulher em numa sociedade machista e preconceituosa.

 

Ideal para refletir sobre o posicionamento da mulher atual. O filme mostra como as questões existenciais envolvendo a mulher contemporânea, como o machismo, a opressão, o sexo sem amor e o sem sentido da vida, e as resoluções cotidianas, como pintar o cabelo, divertir-se e simplesmente, aquilo que é mais difícil, ser feliz, caminham lado a lado com o passar do tempo.

 

Nesse contexto social e individual, “Pasue”, filmaço denso e amedrontador, demanda coragem do espectador da primeira até a última cena. O coração acelera e o corpo se incomoda, pois o dilema de sobreviver da protagonista esbarra no viver de cada um de maneira diferente, mas sempre com profundidade e com a esperançosa percepção de que algo pode ser feito a cada instante para mudar o panorama apresentado.

 

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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